quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Resenha: A Revolução Dos Bichos - George Orwell


Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo George Orwell, foi um escritor e jornalista inglês que ganhou notoriedade com as obras 1984 e A Revolução dos Bichos. O autor já representava sua crítica à política stalinista com a obra Lutando na Espanha, que relata suas experiências na Guerra Civil Espanhola como combatente voluntário. Mas o ápice de sua decepção com o socialismo real foi na novela satírica A Revolução dos Bichos, um dos livros mais aclamados de Orwell.

A história se passa na Granja do Solar, onde animais trabalham excessivamente e não possuem lazer e alimentação de qualidade. A Granja é comandada pelo Sr. Jones, um humano bebum que explora os animais incessantemente. A ação do livro começa quando todos os animais da Granja são reunidos para ouvir a ultima mensagem do respeitável Velho Major (retrato de Marx e seus ideais), um porco que já estava à beira da morte. Em sua mensagem ele retrata um dado momento em que os animais não sejam submissos ao homem, e que vivam em igualdade. Embalada pela canção “Bichos da Inglaterra”, a mensagem alui os animais, principalmente os porcos, considerados a intelligentsia do mundo animal.

“O homem é a única criatura que consome sem produzir. Não dá leite, não põe ovos, é fraco demais para puxar o arado, não corre o suficiente para alcançar uma lebre. Mesmo assim, é o senhor de todos os animais. Põe-nos a trabalhar, dá-nos de volta o mínimo para evitar a inanição e fica com o restante. Nosso trabalho amanha o solo, nosso estrume o fertiliza e, no entanto, nenhum de nós possui mais do que a própria pele.” (Velho Major)

Logo após a morte do Velho Major os animais passam a se reunir clandestinamente sob o comando dos porcos Napoleão e Bola-de-Neve, representação escancarada de Stálin e Trotsky, respectivamente. Também havia Garganta, um porquinho gordo com um alto poder de persuasão. Esses três organizaram os ensinamentos do Major em um sistema de pensamento a que chamaram de Animalismo. Assim, passam a difundir os princípios do Animalismo aos demais.

“As palavras do Major haviam dado uma perspectiva de vida inteiramente nova aos animais de maior inteligência da granja. Não sabiam quando teria lugar a Revolução prevista pelo Major, nem tinham razões para acreditar que fosse durante da existência deles próprios, mas percebiam claramente o dever de prepararem-se para ela.”

Certo dia o Sr.Jones, foi desleixado com a alimentação dos animais. Isto acabou sendo o estopim para eles, que juntos expulsaram Sr /Sra. Jones e seus peões da Granja. Dada a Revolução, houve a substituição do nome Granja do Solar para Granja dos Bichos. A partir daí, os porcos tomaram a frente mais uma vez, e passaram a instruir os demais, representando aqui o papel da vanguarda socialista que vai guiar o povo para longe da ignorância. Então, resumiram os princípios do Animalismo em 7 mandamentos (irreparáveis até então).

“1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.

3. Nenhum animal usará roupas.

4. Nenhum animal dormirá em cama.

5. Nenhum animal beberá álcool.

6. Nenhum animal matará outro animal.

7. Todos os animais são iguais.”

Notou-se que animais como ovelhas, galinhas e patos eram incapazes de aprenderem os 7 mandamentos. Visto isso, Bola-de-Neve condensou os 7 mandamentos em uma única máxima Quatro pernas bom, duas pernas ruim”. Tal máxima, que passou a ser repetida constantemente pelas ovelhas.

Logo ao ler os 7 mandamentos, minha cabeça ficou fritando com o mandamento número 1, que diz “Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.”  Pensei: “e os pássaros?” Bem, Orwell não deixou esse questionamento passar batido, e na fala de nosso astuto Bola-de-Neve tratou de cuidar disso.

“A asa de uma ave, camaradas, é órgão de propulsão, e não de manipulação. Deveria ser vista mais como uma perna. O que distingue o Homem é a mão, o instrumento com que ele perpetra toda a sua maldade.”

Bola-de-Neve sempre foi o mais empenhado dos porcos, ao lado de Sansão (um cavalo de tração) combateu com bravura uma tentativa de invasão de Jones e seus homens a Granja. Além disso, fez o projeto do Moinho de Vento, que poderia acionar um dínamo e suprir de energia elétrica toda a Granja. Assim, os animais trabalhariam menos. Porém, todo esforço e popularidade de Bola-de-Neve passaram a incomodar Napoleão, que consumido pelo poder, fez de tudo para expulsar Bola-de-Neve da Granja e dar-lhe o título de traidor. Assim o fez.

Sob o comando de Napoleão, os animais passaram a trabalhar mais ainda e ter a alimentação reduzida. Já os porcos possuíram exclusividade em relação aos outros animais, se mudaram para a Casa Grande, negociaram com os agricultores da região, degolavam animais que os traíssem, baniram o hino da Revolução, modificaram os 7 mandamentos. Além disso, passaram a andar sobre as duas patas traseiras, modificando a máxima, tornando-a “Quatro pernas bom, duas pernas melhor!”.

“4. Nenhum animal dormirá em cama com lençóis.
5. Nenhum animal beberá álcool em excesso.

6. Nenhum animal matará outro animal sem motivo.

7. Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.”

O mandamento modificado Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros” é uma das passagens mais marcantes do livro. A morte do respeitável Velho Major, representa o fim dos ideais Marxistas e do socialismo democrático que Orwell tanto acreditava. Ao decorrer do livro sempre me lembrava daquela frase de Maquiavel Dê o poder ao homem, e descobrirá quem ele realmente é”, frase esta que diz muito sobre a mudança do porco Napoleão, que apesar de não ser um homem, é a personificação de muitos que passaram pela história e de muitos que virão. E digo mais, eu também já não sabia distinguir quem era homem, quem era porco.

Dados do livro
Nome:  A Revolução dos Bichos
Autor:    George Orwell    
Número de Páginas: 147
Editora: Companhia das Letras
Nota: 9/10

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