segunda-feira, 6 de julho de 2015

Duna : Livro 1 - Frank Herbert


O primeiro livro que decidi resenhar quando pensei no retorno do site foi Duna de Frank Herbert. Tenho lido muita fantasia (o gênero que mais tenho prazer de ler), no entanto andava um pouco enfadado e pedi no Twitter a sugestão de algum épico que não fosse fantasia. Por épico eu entendo livros longos, com uma trama minuciosamente trabalhada, cultura interna extensa/única, personagens heroicos e com limites entre o bem e mal bem definidinhos. Foi então que o @sirczar sugeriu Duna.

Em 2013 assisti o filme do David Lynch (que é de 1984). Não odeio o filme como quase todo mundo que o assistiu. Acho que do começo até a metade, apesar das limitações técnicas visíveis nos efeitos especiais porcos, é um ótimo filme, tem um clima bizarro bem atraente. Porém da metade pro final tudo desanda de um jeito vergonhoso e o filme se torna uma porcaria. Ainda assim gostei do filme pelos bons momentos do começo. Depois de assistir, pesquisando na internet, entendi que teve muita treta na produção, com a produtora trocando o diretor, cortando orçamento e etc, não é a toa que perdeu muito do pique do meio pro fim. De qualquer forma o filme havia me deixado curioso sobre aquele universo e eu já pensava faz tempo em ler os livros. Agora era a oportunidade.

Essa resenha é sobre o primeiro livro homônimo de Duna, que se arrasta como uma saga, originalmente com 6 livros e que ainda foi continuada pelo filho do Frank Herbert  com mais uma dúzia de obras. Publicado originalmente em 1965 Duna é um dos livros de ficção científica mais bem-sucedidos em termos de venda de todos os tempos. Considero Duna um épico que mistura ficção científica e fantasia. Durante a leitura você percebe como o autor elaborou não só uma história, mas uma realidade singular e exótica.

A história se passa 24.600 anos após o presente, no que parece ser uma galáxia distante. Não há em nenhum momento qualquer menção sobre a Terra ou o que aconteceu com a humanidade para chegar até ali. O universo está dividido em um império, cujo qual várias famílias controlam territórios como se fossem feudos espaciais (planetas e zonas de exploração de materiais/gente), o foco do livro é a disputa entre a Casa Atreides e a Casa Harkonnen pelo planeta Arrakis.

Arrakis é bem... peculiar. É surpreendente imaginar como um planeta que é um imenso deserto pode ter vida, no entanto há bem mais do que isso, o planeta é a única fonte no universo de um material chamado melange, que embora cause dependência química é capaz de prolongar a vida do usuário. Apesar de lucrativa a extração de melange é perigosa, pois as plataformas de extração precisam ser posicionadas em mananciais no meio da areia do deserto e ao entrarem em atividade atraem vermes de areia, criaturas gigantescas e ferozes, que destroem qualquer máquina com facilidade.

O antigo senhor de Arrakis era o Barão Vladimir Harkonnen, mas o planeta foi cedido pelo Imperador ao Duque de Leto, senhor dos Atreides. É exatamente aqui que o livro começa, nos preparativos dos Atreides para deixarem seu planeta natal em direção à Arrakis. Com o tempo ficamos sabendo de uma treta milenar entre os Harkonnens e Atreides, mas que ao menos no livro 1 não é muito explicada, a única coisa que fica clara desde o começo (e por isso não é spoiler) é que o Imperador está ajudando o Barão Harkonnen a preparar uma armadilha contra o Duque.

Com a ajuda de sua concubina, Lady Jéssica, mãe de seu único filho e uma espécie de “bruxa”, o Duque sabe que uma armadilha o espera em Arrakis, mas em nome da sobrevivência dos Atreides e o lucro exorbitante que a melange pode proporcionar ele sente necessidade de ir mesmo assim.

Lady Jéssica é da irmandade Bene Gesserit, uma espécie de escola para treinar mulheres a desenvolverem uma hipersensibilidade, as tornando capazes de saber o que uma pessoa está pensando ou seus sentimentos e intenções através dos gestos, olhares e tonalidades de voz. Além disso as Bene Gesserit tem um poder chamado de “voz”, no qual elas encontram uma frequência e entonação de voz no qual sua palavra se torna uma ordem ao ouvinte. Mas essa não é uma tarefa muito fácil, já que cada mente precisa de uma frequência única para ser ouvida diretamente como um comando.

Existem nativos em Arrakis, são chamados de Fremen. O único povo que sabe viver no deserto profundo. São os verdadeiros senhores de Arrakis, apesar do que possam pensar as casas que servem o império. No primeiro livro não se sabe qual sua extensão e força em termos de armas, já que suas vilas são apenas mencionadas. No entanto graças a alguns personagens dá pra perceber que são um povo místico e que toda sua cultura é baseada na escassez de água. Existe, por exemplo, uma roupa especial que faz com que não se perca quase nada da umidade do corpo, recolhendo água do suor, mijo e até das fezes para consumo interno. A água é tão preciosa (afinal, o planeta é um deserto gigante) que eles chamam o sangue de “água do corpo”, quando alguém morre nem mesmo ela é dispensada. A moeda dos Fremen é a própria água, sendo um material mais raro que a própria melange para os pobres.

Outro personagem importante é Paul Atreides, o jovem filho do Duque que é visto pelas Bene Gesserits como sendo uma espécie de provável profeta super-poderoso, o único homem entre as Bene Gesserit. Quando chega a Arrakis até os Fremens tem uma lenda no qual Paul acaba se encaixando, o tornando durante a narrativa o principal personagem do livro.

Apesar de extenso, Duna é um livro excepcional. Frank Herbert nos surpreende a cada instante com sua capacidade criativa. Existem várias Casas Nobres, irmandades, povos, planetas e materiais dentro do universo que ele criou. O começo da leitura é esquisito justamente por isso, ele está nos apresentando uma realidade nova, demoramos alguns capítulos até termos realmente noção do que se trata aquilo que está sendo narrado e nos sentirmos confortáveis. Depois disso a leitura se desenrola num fluxo muito bom e ficamos sempre querendo saber mais e mais de Arrakis.


Ao longo do tempo pretendo ler os outros livros da Saga Duna e fazer a resenha de cada um por aqui. Acompanhem!

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