quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A Aventura Memorialística de To The Moon


Desde que o Steam foi lançado, em 2002, o mercado de jogos eletrônicos tem sofrido severas mudanças. Uma dessas principais mudanças foi a possibilidade dos desenvolvedores independentes distribuírem seus jogos pela própria plataforma da Valve sem muita dificuldade e taxação imprópria. A distribuição do produto final sempre foi uma das maiores dificuldades dos desenvolvedores autônomos em qualquer área seja literatura, música ou games. Com o Steam foi aberta uma porta do mundo dos games que muitos aproveitaram, fazendo mesmo com que em alguns anos os lançamentos indies chamassem mais a atenção do publico do que os jogos das grandes empresas.

To The Moon é um desses jogos indies que foi tão bem recebido pela crítica que acabou se tornando bem sucedido no mercado. Lançado em 2011 é um RPG de gráficos 2D simples, construído no RPG MAKER XP.

Como explicar que um jogo com gráficos simplórios, jogabilidade nada inovadora e feito no RPG MAKER possa ter tirado notas acima de 8 na Eurogamer, GameSpot e 10 na PC World (GamePro)?


O segredo de To The Moon está em seu roteiro escrito por Kan "Reives" Gao. Eu afirmaria sem problemas que To The Moon é muito mais sobre contar uma história do que passar de fases e seguir em frente. A recompensa no jogo está em aos poucos conseguir desvendar os mistérios do enredo.

Em To The Moon acompanhamos Dr. Eva Rosalene e Dr. Neil Watts, funcionários da Sigmund Corp. A empresa, contratada previamente, tem como função realizar o sonho do cliente quando ele estiver prestes a morrer. O sonho é realizado através de uma “máquina dos sonhos”, que permite aos profissionais entrarem na cabeça do cliente e recriar suas memórias.

O grande dilema do jogo ocorre quando Eva e Neil perguntam ao cliente – Johnny -, já dentro de sua cabeça através da máquina de sonhos, o que ele quer. Ele diz que quer ir para a lua, porém não sabe por quê. Os doutores então tem que ficar voltando nas memórias de John até descobrir o motivo pelo qual ele deseja ir à lua e nessa saga memorialística descobrem detalhes emocionantes e até bizarros da curiosa vida do seu freguês.


No começo você não entende muito bem o que está acontecendo, só que assim que a trama se desenrola é difícil conseguir parar de jogar, você simplesmente vai querer saber o que vai acontecer com os personagens ao voltar mais e mais na cronologia das memórias de Johnny. O “passar de fase” no jogo é ir descobrindo mais da história dos personagens. O modo como Kan Gao prende o jogador é similar ao de um literato, ele cria uma grande expectativa de que o próximo passo lhe explicará alguma coisa de extrema importância e você segue nisso até notar que finalizou o jogo.

Não vou dar spoiler, por isso paro por aqui, mas garanto a vocês que vale muito a pena jogar To The Moon. Os personagens são cativantes - apesar das limitações de demonstração de emoção num jogo feito pelo RPG MAKER XP -, a trilha sonora é perfeita e a história é tão fantástica que pode até levar a lágrimas muitos do que estão lendo essa análise. Então vão fundo aí no sonho de Johnny de ir para a lua e botem um lenço do lado do computador pra secarem as lágrimas!

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