sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A Espada do Destino - A Saga do Bruxo Geralt de Rívia Parte 2

“- Você me seguiu passo a passo – disse o bruxo -, mas atacou outros, os que eu encontrava pelo caminho. Por quê? Foi para que eu ficasse só, não é verdade? Para que eu finalmente começasse a sentir medo? Pois vou lhe confessar uma verdade. Sempre tive medo de você. Sempre. Se não olhava para trás, era por medo. Medo de vê-la ali, juntinho de mim. Sempre tive medo; toda a minha vida foi passada em meio a medo. Tive medo... até hoje.
- Até hoje?

- Sim. Até hoje. Estamos cara a cara e eu não sinto medo. Você me tirou tudo. Até a capacidade de sentir medo.”
Se em O Último Desejo Andrzej Sapkowski nos apresentou o seu universo fantástico, o que era um Bruxo e qual sua função dentro dele, em A Espada do Destino, segundo livro da Saga de Geralt de Rívia, os personagens com suas aventuras começam a tecer uma teia de conexões e acontecimentos que parecem nos preparar para algo muito maior que está por vir. Mas não se engane, embora tenhamos constantemente a sensação de que o livro parece um prólogo os contos que o compõem são muito bons de ler, você os devora com uma facilidade tremenda ocasionada pela curiosidade de saber com o que Geralt e seus amigos vão se meter. Para quem jogou todos os jogos da franquia, muitos epítetos através do qual chamam Geralt e histórias que vemos os NPCs falarem sobre ele são iluminados através desses contos (lembre que os jogos que foram inspirados nos livros e não o oposto).

Novamente o livro é uma coletânea de contos que são narrados na perspectiva de Geralt, o famoso bruxo da escola dos lobos. Os fatos do primeiro livro, principalmente do conto O Último Desejo, são necessários para compreensão de A Espada do Destino, pois Yennefer, ligada por magia ao destino de nosso protagonista, é uma das personagens mais frequentes. Tenho a impressão de que essa coletânea na verdade é mais para nos fazer entender como funciona a conturbada relação entre a feiticeira e o bruxo, sendo inclusive a “espada do destino” uma metáfora da relação entre os dois. Eles não têm certeza se se amam naturalmente ou se tudo que sentem não passa de magia ocasionada pelo último desejo de Geralt, de qualquer forma o fato é que eles aceitam o destino, seja ele mágico ou natural. Essas dúvidas são mais de Yennefer do que de Geralt, que não pensa muito na situação, apenas gosta de sentir o cheiro de groselha e de ficar próximo de sua amada.

O Limite do Possível

Esse conto é quase uma aventura de RPG clássica, com muitos personagens, ação, surpresas e até algo de romance. Nele Geralt em suas andanças com o bardo Jaskier descobre que uma feiticeira muito poderosa está em uma comitiva real atrás de um dragão. O motivo pelo qual o rei deseja matar o dragão é toda uma trama política aí pra conseguir a mão de certa princesa e expandir o reino. Junto com o rei estão Boholt e seus caçadores de dragões (aqueles que aparecem no começo do jogo Witcher 2, sem Boholt, e que agradecem por Geralt estar sem memória), Yennefer, guerreiros zerricanos, os anões malucos do grupo do mais maluco ainda Yarpen Zigrin, entre outros.
Geralt se junta ao grupo menos por querer caçar o dragão do que por querer se encontrar com Yennefer. Ele simplesmente não consegue se controlar ao ouvir falar dela e não tem qualquer vergonha disso. Porém Yennefer parece estar chateada com ele por algo do passado e não quer nem papo com o Bruxo.
O melhor do conto é descobrirmos um pouco sobre a mitologia dos dragões naquele universo e quais os seus poderes de fato. Os diálogos são divertidos, tem muita ação, é sem dúvidas um dos melhores contos do livro.

Um Fragmento de Gelo

Muitos odeiam esse conto e o consideram sem propósito. Na minha opinião a função dele é mostrar um pouco mais da dinâmica entre Yennefer e Geralt. Geralt continua buscando a feiticeira até os confins do mundo, mas ela está com outro, um feiticeiro chamado Istredd. Nesse conto nos é mostrado que Yennefer não fica esperando Geralt e nem ele a ela, quando se encontram estão juntos, quando se separam estão juntos com outras pessoas, essa é a dinâmica do relacionamento deles. Porém eles sentem que há algo do destino que os conecta e por isso sempre voltam a se encontrar mesmo que não o planejem, seria isso fruto d’O Último Desejo ou realmente algo predestinado?
A maior parte desse conto é uma discussão confusa entre Istredd e Geralt sobre quem deve ficar com Yennefer e por fim um duelo entre os dois.
“A verdade – disse o gavião – é um fragmento de gelo.”

O Fogo Eterno

Esse conto se passa na maior cidade dos reinos do norte: Novigrad, a cidade livre dentro do reino da Redania. Em Novigrad quem manda é a economia e as leis do mercado. E é isso o mais interessante deste conto, podermos analisar a parte lógica do funcionamento daquele universo fantástico, acompanhando transações econômicas, o funcionamento dos bancos dominados por anões e gnomos.

Nesse conto somos apresentados ao dúplice Dudu, que aparece como um personagem muito importante em certas missões do Witcher 3. Aliás, é a primeira vez que o conceito do dúplice, alguém capaz de imitar fidedignamente alguém, do rosto aos gestos, aparece nesse universo. Dudu explica o que são os dúplices, quais seus poderes e o que aconteceu com eles. É um conto muito criativo e interessante. O Fogo Eterno do título é uma congregação religiosa que domina a cidade e está infiltrada até na cobrança dos impostos e na segurança das ruas. O fanatismo é tratado de modo bastante relevante neste conto.

Um Pequeno Sacrifício

Considero de longe este o pior conto do livro. Nele Geralt e Jaskier ajudam um rei em sua relação complicada com uma sereia. Nem o rei quer se transformar na espécie de sua amada e nem a sereia quer perder as escamas, então eles ficam naquela de “se me ama faz isso, se me ama faz aquilo” e isso acaba sempre em muita treta essas coisas, ainda mais num universo fantástico.

O ponto alto do conto, para mim pelo menos, é o quase romance entre Geralt e Essi. Mostra bem o sofrimento que o bruxo passa por não conseguir se relacionar com ninguém e como ele teme que todos que passem pela sua vida tenham um destino horrível.

A Espada do Destino

Esse conto nos apresenta a personagem que tomará o protagonismo de Geralt nos próximos livros, que são mais um romance em sua estrutura clássica em vez de contos soltos. Estou falando de Ciri, a pequena garota cujo destino está ligada ao do Lobo Branco graça à Lei da Surpresa. Geralt é mandado para encontrar a jovem princesa de Cintra e devolvê-la à rainha Calanthe, mas para isso ele tem que lidar com bandidos e com as dríads de Brokilon, floresta no qual a garota se perdeu.

Esse conto fala sobre a forte ligação que a garota Ciri e o bruxo têm e o quanto estão predestinados a realizar grandes coisas um ao lado do outro. É o ponta pé necessário para os próximos livros.

Algo mais

Esse conto é bem... Onírico. Começa com Geralt ajudando um mercador em apuros a enfrentar um exército de criaturas cadavéricas sozinho. O mercador promete entrega-lo aquilo que ele não esperava ao chegar em casa. Geralt toma poções, passa óleos mágicos na espada e acaba vencendo, no entanto o custo é a sua quase morte. Agora é a vez do mercador pagá-lo e mostrar um pouco da bondade humana tão pouco existente no universo sombrio de Witcher. O mercador leva Geralt em sua carroça em busca de alguém que possa curá-lo.
“Ter dúvidas é uma pura e boa característica humana, e somente o mal nunca as tem, senhor Geralt.”
Enquanto está viajando Geralt tem visões sobre o futuro, lembranças do passado retornam a sua cabeça: Ciri o seu destino, a amada Yennefer conectada a ele por sentimentos ou magia? Tudo é confuso. Até termos notícias sobre o exército de Nilfgaard ter demolido Cintra em uma investida de guerra que está pronta para atingir os reinos do norte. Onde estará Ciri, a princesa de Cintra? O destino de Geralt... bem... leia o conto e se surpreenda!
A Espada do Destino - A Saga do Bruxo Geralt de Rívia Parte 2
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