sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Banda Cascadura encerra atividades após 23 anos de rock baiano


A banda formada em 1992 na Bahia por Fábio, Cascadura, fará o último show encerrando suas atividades neste dezembro de 2015, isso de maneira consciente da própria história, pacífica entre os integrantes e aqui está um piauiense, não lamentando o fim, mas reconhecendo a importância do início e a trajetória da banda. A conheci vendo um clipe com participação da Pitty, a música era “Senhor das Moscas”, claramente inspirada na parábola do livro homônimo de William Golding, que já foi adaptado duas vezes ao cinema e ganhou tradução em mais de 30 línguas.

Vejam depois essa entrevista que me desmente hahahahaha




E não param por aí as influências do historiador Fábio, a notar por músicas como “Sherazade”, personagem do fabuloso As Mil e uma Noites e uma colagem marota de “Chorando no Campo” no último álbum.


Formada por Thiago Trad, Du Txai, Cadinho e Nielton Marinho, além de Fábio, a banda possui cinco discos lançados. Começou a ter maior aceitação a partir de “Vivendo em Grande Estilo” lançado em 2004 e há documentários disponíveis no Youtube, inclusive com depoimentos de músicos consagrados como Rodrigo (Dead Fish) e Lobão, sobre as gravações de Bogary (2006) e o duplo Aleluia (2012), vencedor do Prêmio Dynamite e que traz participações de Pitty, Jajá Cardoso e Ronei Jorge, todos baianos e mais Nando Reis, Siba, Móveis Coloniais de Acaju e Beto Bruno (Cachorro Grande).

Assiste carái!

Bogary:


Assiste muito,
Assiste todo,
Assiste mais que tá pouco!

Aleluia:


Minha admiração para com a banda dá-se pelas composições. Fábio é letrista de mão cheia e com as melodias não é diferente, gosto de seu modo de cantar, um ‘gritado-melódico’ (esse termo é foda hahaha) às vezes como no refrão de “Desconsolado”, “O Delator” e “O Centro do Universo”, por exemplo.

Gosto também por falar de diversos tipos de amor, o amor cego (ou de pessoas com deficiência visual) na faixa “Aleluia”, o amor de pai pra filha em “12 de Outubro”, onde Fábio homenageia Joe Gomes (ex-baixista da Pitty, da fuderosa Dead Billies, Retrofoguetes, Os Feios e Cascadura, estas duas últimas fundadas em parceria com Fábio). Antes de saber que a música falava da relação de Joe e sua filha e que Fábio se imaginava um dia sendo pai, eu costumava associar a canção ao suposto atentado terrorista lá das Torres Gêmeas/World Trade Center. Minha burrice é tão grande que só me liguei que os atentados aconteceram no mês setembro, diferente do que sugere o título da música, depois que descobri a verdadeira intenção da faixa.

Enfim, são tantas as maravilhosas canções da banda que não dá para pontuar uma por uma aqui, ainda assim me impressiona que um disco duplo, no caso o Aleluia, possa ter tantas músicas boas. Conheço poucos álbuns duplos e o que me vem à mente de modo clichê como bom exemplo dessa façanha é o “Álbum Branco”, outra influência confessa de Fábio.

Concluindo em concordância com o primeiro parágrafo como me ensinaram os professores de redação do ensino médio (haushausha deus do céu como eu sou idiota e deus do céu como é bom ser idiota num site que você faz tudo como acredita que deva ser feito), o texto veio para ressaltar, pelo menos pra mim, a importância de uma banda como a Cascadura, que a meu ver não teve tanta propagação nacional como devia, bem, pelo menos aqui pro Piauí não senti isso (e dá para notar por algumas entrevistas do Fábio que aqui e acolá ele pensa nisso, basta conferir a última entrevista do vocalista para o A Tarde). O lance é que fico me perguntando se é de repente porque o Fábio é negro, pois vendo os outros roqueiros que deram o salto lá na Bahia, nomes como Raul Seixas, Marcelo Nova (Camisa de Vênus), Pitty, Teago Oliveira (Maglore), são todos brancos, agora tem o Jajá, negro, da Vivendo do Ócio.


Pode parecer vitimismo meu, exagero, sei lá, mas ainda falando da Bahia, porém de outro nicho musical, o famigerado Axé Music, nomes como Saulo e Ivete a despeito de Margareth Menezes e Carlinhos Brown com seus vários projetos sociais, sua revolução percussiva com a Timbalada, o moço, a meu ver, tem mais destaque pelas parcerias que vem fazendo ao longo da carreira que propriamente pelo trabalho solo/autoral.

Pensar isso por esse viés com as recentes mortes de cinco jovens negros com mais de cem tiros disparados pela polícia no Rio de Janeiro é um exercício tanto dolorido, mas deixando a profundidade de lado...


Novamente enfim (3), (ia esquecendo de dizer que praticamente toda uma formação da Pitty já tocou no Cascadura, o Joe é um dos fundadores, Martin, o atual guitarrista da baiana tem passagem, inclusive tocou nesses shows de encerramento desse ano e, o ex-marido da Pitty também já segurou as baquetas para o Cascadura) o último concerto da banda acontecerá nesse domingo (06) no Pelourinho e terá participação de Teago e Jajá, citados ali acima. Queria eu poder passar o final de semana na Bahia e curtir o saudosismo que pode de repente atacar os músicos já ali no palco. Um dia quem sabe, eu cruzo o Fábio nos EUA, ele vai se mudar, “os tempos mudaram, o rock também”, segundo ele.

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