terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Tempo de Desprezo - A Saga do Bruxo Geralt de Rívia Parte 4


Tempo de Desprezo é o quarto livro da Saga do Bruxo Geralt de Rívia, que trata mais de política do que qualquer outra coisa. No fim de O Sangue dos Elfos Geralt identifica quem o persegue e Ciri é colocada sob os cuidados de Nenneke no templo de Melitele, onde começa a estudar as artes arcanas com Yennifer.

A parte inicial do livro foca na intricada trama política do universo de The Witcher. Em suas buscas para entender o motivo pelo qual é perseguido por tantos assassinos Geralt é informado por um velho amigo, informante e advogado, da complicada trama de interesses entre os reinos do norte e Nilfgaard. Os reis do norte querem começar por Cintra uma rebelião contra os dominadores nilfgaardianos, a cidade que sempre foi independente e forte até que fosse destruída pelos invasores. Só que para isso precisam que o trono não tenha descendência, por isso Ciri, a última pessoa de sangue real, precisa de fato estar morta, já os nilfgaardianos querem Ciri viva, para manipulá-la politicamente como um fantoche. Há todo um jogo político intricado no qual Geralt é apenas uma das peças para o xeque-mate de ambos os lados.

Enquanto isso Ciri recebe suas primeiras lições de magia com Yennifer, proporcionando momentos filosóficos bastantes interessantes para o leitor. Se tiverem duas coisas que Sapkowski escreve muito bem são brigas e diálogos filosóficos sobre magia.

Em certo momento Yennifer fica sabendo de um Conselho dos Magos, em que todos os usuários de magia vão decidir como devem agir diante da guerra que está prestes a estourar. É a partir de onde podemos ver como os magos são tão poderosos que exercem uma espécie de poder paralelo no mundo, afinal, suas magias são mais destrutivas que um batalhão de soldados. No entanto os próprios magos e feiticeiros têm suas preferências políticas, o que torna as reuniões do Conselho uma confusão tão grande quanto a existente entre os reis do continente.

Uma das partes mais interessantes do livro é quando Ciri vai ao encontro de Geralt as escondidas e é perseguida pela Caçada Selvagem:
“Criança de Sangue Antigo! Você pertence a nós! Você é nossa! Junte-se ao cortejo, junte-se a nossa Perseguição! Vamos galopar até o fim, até a eternidade, até o limite da existência! Você é nossa, menina de olhos como estrelas, filha do Caos! Junte-se a nós e conheça a alegria da Perseguição! Você é nossa, é uma de nós! Seu lugar é no meio de nós!”
A Caçada Selvagem é um dos elementos principais da narrativa geral da Saga, embora não tenha sido explorada nos livros de maneira satisfatória até agora. Eles são entidades espectrais que ninguém sabe de fato do que se trata, apenas aparecem em certos lugares e momentos numa caçada por pessoas. Ciri e seu poder de fonte de alguma forma atraiu a atenção deles, por sorte Geralt e Yennifer estavam por perto e conseguem protegê-la.

Talvez o único problema de Tempo de Desprezo é que ele parece vários livros de uma vez. Há essa primeira parte, depois a saga de Ciri solitária no deserto e por fim o encontro dela com um grupo de renegados juvenis chamados apenas de Ratos, descritos desta maneira:
“Eram filhos dos tempos do desprezo, e era só desprezo que sentiam pelos outros. Não se apoiavam apenas na força bruta, mas também na destreza do manejo de armas, a qual haviam adquirido rapidamente pelas estradas, na força de vontade, nos cavalos velozes e nas espadas afiadas. E no companheirismo. Eram camaradas, confrades. Porque todo aquele que fica sozinho morre: de fome, de espada, de flecha, das foices dos camponeses, no patíbulo, num incêndio. Quem está sozinho morre apunhalado, golpeado, pisoteado, chutado, passado de mão em mão como se fosse um brinquedo.”
Ao mesmo tempo em que a macro trama política se desenrola vemos também o desenvolvimento das habilidades de luta de Ciri, de sua força mágica e até mesmo de sua sexualidade, pouco a pouco, entre os Ratos.

Tempo de Desprezo é um livro de fantasia complexo, que necessita de leitura minuciosa e atenta, talvez por isso critiquem tanto nesses blogs de resenha da internet, as pessoas estão acostumadas com o gênero sendo sempre apenas “divertido” e de fácil leitura. Porém Sapkowski apresenta um universo tão grande e rico que seria de péssimo gosto escrever histórias muito simples.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Top