quarta-feira, 6 de abril de 2016

Rumores otimistas da Geração TrisTherezina e o ep Decair da banda Cianeto HC




Nada tem sido fácil tampouco impossível. 
Nada tem sido fácil tampouco impossível. 
Nada tem sido fácil tampouco impossível. 
Nada tem sido fácil tampouco impossível. 
Nada tem sido fácil tampouco impossível.
Nada tem sido fácil tampouco impossível. 
Nada tem sido fácil tampouco impossível. 

A resenha poderia ter apenas essa única frase e ainda assim diria muito sobre a banda Cianeto HC ter lançado seu EP de estreia, Decair, ainda assim diria muito sobre eu ter lançado um disco solo, Foda!, ainda assim diria bastante sobre o livro de contos que o Agostinho Torres vai lançar dia 16 desse mês, O que Acontece Quando Não Estamos Olhando, que ainda assim diria também sobre o trabalho artístico do Joniel Santos ou sobre as fotos que o Breno Andrade registra e alimenta no perfil @piauinatural, com apenas a câmera de um celularzinho.

Somos uma geração empilhando e derrubando dificuldades, sejam estruturais, sejam financeiras, sejam políticas, sejam existenciais e dando o nosso melhor ao que fazemos com o mínimo que temos. Preciso falar do motivo de o Heitor, vocalista da Cianeto, ter resenhado meu disco para o Diretório Literário e sobre eu resenhar o ep da banda dele. É simples: se nós não fizermos, ninguém fará por nós. Nós não esperamos nada de ninguém, não queremos nada de ninguém e muito menos devemos nada a ninguém, por isso temos a liberdade de produzir o que quisermos, como quisermos, quando quisermos, onde quisermos, com quem quisermos, até mesmo com pessoas alheias à Geração TrisTherezina, caso do Agostinho. E isso unicamente porque acreditamos em seu potencial e na honestidade de seu trabalho e porque sabemos quão difícil é querer mostrar um trabalho e não ter com quem contar para isso.

Decair possui quatro faixas, nenhuma chega a três minutos, algumas não passam de dois. Eu penso que não custa nada dar uma chance a esse disco e escutá-lo, seja porque é hardcore, seja por bairrismo, porque é música piauiense, seja pelo esforço de jovens acreditando em nada além de si mesmos, seja pelo motivo que for. O EP começa com uma guitarra de timbre rasgado e segue distorcida na música Vítimas das Circunstâncias, na qual ele canta: “feliz por ser um peão nessa terra de ninguém/não importa o que se faz, mas o que se tem”, e se é o caso, Heitor tem sua própria banda, tem suas canções, tem seus amigos e assim subverte o fator “ter”, não priorizando posses, dinheiro ou coisas do tipo. A meu ver, o compositor aprendeu a lidar com as circunstâncias, com os contextos apáticos da sociedade onde tudo tem um prazo e uma meta. Às vítimas desse sistema que não aprenderam a lição, o vocalista deixa suas condolências.



Em Infâmia, faixa seguinte, a banda segue pondo em xeque mais algumas verdades, ou ícones referenciáveis e louvados em universidades, tribunas, igrejas, artigos, revistas, sem nenhuma contestação, ícones cujas ideias são compradas facilmente por muitos. É uma música iconoclasta no meu modo de entender, quando o Heitor canta: “sua auto crítica anda um tanto intolerante/um ego proclamado por um bastardo operante/um retrato da essência acadêmica/um ingrato amado em febre epidêmica”.

É importante ressaltar um quê de rebuscamento nas letras e ideias do compositor. Ressaltar ainda mais o trato dado às letras, pois mesmo refinadas não soam divagativas ou pedantes, pelo contrário, são objetivas e coesas. É o caso da faixa que dá nome ao ep, Decair, que começa pop e envereda pelo hardcore com riffs e mais riffs, em tom maior na introdução, em tom menor no refrão. Nesta música Heitor buscou falar de armadilhas às quais costumamos cair com frequência no dia a dia. Fala sobre quando nos deixamos levar por algum empecilho, pela falta de fé nas nossas próprias crenças e convicções. É das coisas mais bonitas que ele já compôs e muito por quê a música dialoga diretamente com quem está escutando: “pra onde foi o santo homem/e seu discurso sobre amor?/parece estar tão abatido/tão sem respostas quanto eu...”. Quem nunca se viu numa situação assim, tipo beco sem saída, sem perspectiva de futuro, sem querer levantar da cama, sem querer ir trabalhar, terminar o tcc, enfim, contextos não faltam.

Mas é quando chega o refrão que Heitor destrói com nossos corações e diz: “assista eu decair/sobre o lixo que ajudei a construir/assista eu decair/sobre tudo que resolvi seguir”. É como se a pessoa se entregasse totalmente à força obscura do destino, como se a pessoa não tivesse mais vontade própria, como se nenhum dos seus projetos valessem mais a pena.  Porém o bom é pensar no contrário, ouvir a música como um alerta de um estágio a não ser alcançado por nós, pois a dificuldade está na nossa fraqueza, a dificuldade é do tamanho da nossa fraqueza, quanto mais persistente você é, mais resistente você se torna. Eu escrevo e digo isso a quem ler essa resenha porque quando faço isso, além de tentar incentivar mais alguém a gravar e lançar disco, a escrever e publicar livro, a pintar e expor suas telas, a filmar e exibir seus curtas, seus docs, estou repetindo e reafirmando para mim mesmo que não devo fraquejar com meus objetivos, pois como disse no começo: “NADA TEM SIDO FÁCIL, tampouco impossível”, não  foi fácil gravar esse ep, não foi fácil formar uma banda, não está sendo fácil levar esse trabalho para o conhecimento do máximo possível de pessoas dentro e fora do nosso círculo de amizades e como não tem sido fácil, impossível também não tem sido, chegamos em algum lugar, ter gravado e ter lançado nos prova isso. Provem para si também suas capacidades. 

Amém


Links para ouvir Decair:

Soundcloud - https://soundcloud.com/cianetohc

Bandcamo - https://cianetohc.bandcamp.com/releases
Rumores otimistas da Geração TrisTherezina e o ep Decair da banda Cianeto HC
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