quinta-feira, 14 de julho de 2016

À Procura do Humanoide (ou As Incursões de Marco Polo Pelo Interior do Piauhy)


Penso que a história dessas viagens teve início com o show de lançamento do Foda! no município de Demerval Lobão durante o Morrinhos Rock, prévia do Balaio Cultural, cujos detalhes podem ser lidos nesse texto da Gabi, pessoa que vocês vão conhecer futuramente. 

No primeiro final de semana de Julho, todavia, eu fui convidado para lançar meu disco em outra cidade, Piripiri, devido a desistência de uma das bandas que já estava na programação do Punkada Rock Fest. Como o convite surgiu assim meio de última hora, o show, o meu pelo menos, acabou não acontecendo por dois motivos: meu irmão, que toca bateria comigo, iria viajar para o aniversário da filha que mora em Colinas no Maranhão; e o mano Gui, baixista da banda, já tinha um aniversário para ir.


Contudo, ainda na sexta-feira, de supetão convidei a Eryka para viajar e combinamos de tentar passar por duas cidades piauienses naquele fim de semana. A princípio ficamos em dúvida entre David Caldas e José de Freitas ou Campo Maior e Piripiri. Decidimos por estas duas últimas. Chegamos a Campo Maior na noite de sexta e pagamos um “pernoite” numa pensão por R$ 30 dinheiros cada. Ali experimentamos da famosa carne de sol da cidade, que, dizem as boas línguas, é da melhor que há no Piauí, fato que eu não poderei negar hahaha.



Na manhã seguinte fomos até o lago da cidade e sentamos cabisbaixos em um dos bancos com a impossibilidade de visitar o Monumento da Batalha do Jenipapo, situado na BR – 343, um pouco distante de Campo Maior. Não tínhamos como ir de bicicleta, não dá para ir a pé por conta da distância, só restavam os ônibus intermunicipais, ideia que não cogitamos, e táxi, veículo que até então não tínhamos visto por lá.



Descobrimos que em Campo Maior não há uma cor específica para os táxis e que por isso não nos demos conta de que na rodoviária havia um ponto com estes veículos. “Aqui o prefeito deixa a gente usar qualquer cor”, contou o taxista que nos levou ao monumento por R$ 45 dinheiros, ida e volta. Ele ainda nos esperou lá no monumento enquanto conhecíamos e fotografávamos o que podíamos do local.



O Monumento da Batalha do Jenipapo foi erguido em memória dos piauienses que lutaram pela independência do Brasil contra as tropas de Portugal comandadas por Fidié. Os piauienses lutaram apenas com as armas do campo: foice, enxadas, martelo, o que tinham contra as tropas bem armadas de Portugal. Perderam a batalha, mas enfraqueceram as tropas portuguesas, vitória levada em consideração.



No caso, perderam a batalha, mas venceram a guerra. No monumento há um cemitério com diversos túmulos e covas dos falecidos em campo. Há também o Museu do Couro, onde é possível ver gibões usados pelos piauienses nessa batalha, canhões das tropas portuguesas, entre outros artefatos da época e até coisas mais recentes como os primeiros modelos de telefone surgidos no país.



De volta a Campo Maior passamos mais uma hora na pensão e fomos embora, pois o nosso pernoite acabaria ao meio dia. Na rodoviária vimos que sairia um ônibus às 11h15 para Piripiri, nosso próximo destino. Antes de deixar a cidade, eu enviei inbox para dois amigos piripirienses, mas que estudaram e trabalham em Teresina. Dei a sorte de o Helton estar online e ter ido passar o fim de semana também em Piripiri. Ele nos acolheu em sua casa e lá ficamos o resto de sábado e o dia de domingo.

Nossas passagens para a cidade de Helton custaram R$ 16 dinheiros cada, para Campo Maior compramos por R$ 10 dinheiros. Helton nos buscou de moto na rodoviária, ou seja, fez duas viagens, uma levando a Eryka, depois a mim. A primeira coisa que eu disse a ele foi que eu gostaria de rever o Caldeirão, banhar no local e apresentá-lo à Eryka. Como o sábado era o dia do Punkada Rock, mesmo eu não indo tocar, acabei indo parar lá na cidade e descobri que o Helton tocaria com uma das bandas aquela noite.

Na verdade, o lance foi o seguinte: o baterista da banda do Matheus (que havia me convidado para tocar no evento), Retornu Proibidu, havia deixado os caras na mão. Como o Helton havia ido passar o final de semana lá, o convidaram para cobrir o baterista e fariam um único ensaio no dia do show, horas antes do evento hahaha. O Rock tem disso e é lindo por isso e outras coisas. O Helton é baterista das antigas na cidade e a galera tem certo respeito por ele. Em Teresina já tocamos juntos na primeira formação da Cianeto HC. Atualmente ele toca na banda Corpus Conti e o Neurônio Espelho, que inclusive vai abrir o show do Phill Veras dia 17 agora na cidade de União. Mas daí que eu queria ir ao caldeirão naquela tarde e era justamente no horário em que os caras tinham agendado o único ensaio da banda do Matheus.



Um amigo do Helton estava de carro e disse que nos levaria ao Caldeirão, então Helton conseguiu adiar em algumas horas o ensaio e fomos. O caldeirão é imenso, do tanto que é enorme ele é lindo e tem as águas calmas de um jeito que eu nem consigo mais ser. De acordo com o Helton, o açude foi construído por volta de 1940 e seu avô trabalhou na construção do local.



Cavaram, cavaram, encheram de água, a natureza cuidou do resto e hoje é a maravilha que é para nooooooooooooossa alegria. Voltamos para Piripiri, Eryka decidiu ficar na casa do Helton e eu fui assistir ao ensaio dos meninos. Ensaio no terraço de casa, com os pais assistindo e incentivando. A mãe de um dos guitarristas dizia: - Matheus tu tem que fazer a lista das músicas pra não esquecer. E eu ria feito besta. Uma hora ela disse: - A segunda música ficou boa, eu tava ouvindo tudo lá de dentro, mas essa agora não ficou tão boa não. E eu ria mais, sozinho no meu canto. Vontade danada de tocar também haushauhs

Antes do ensaio, o Helton precisou comprar um par de baquetas, ele estava descamisado. Não tinha em sua casa nenhum par velho, na hora do ensaio não conseguiu encontrar nenhum amigo antigo que pudesse emprestar, então fomos a uma loja dessas que costuma ter de tudo, até pó de chorando em meus pés, se duvidar. Quase fomos pegos em uma blitz e o Helton comprou os dois pedacinhos de paus por R$ 15 dinheiros. Que tristeza, um par de baquetas vagabundos por quinze reais é foda.


Após o ensaio voltamos para a residência de Helton. Os pais dele são muito gente boa e os irmãos também, o que para mim e Eryka foi ótimo. Se a gente tivesse ido para uma pensão como em Campo Maior, a viagem teria sido um absurdo de gastos e talvez não tivéssemos rodado tanto por Piripiri, já que motivos de pouca grana.

Após jantarmos eu e Helton fomos na casa de um amigo dele buscar uns pratos e umas estantes da bateria. Depois banhamos e fomos para o Rock. Durante todo o dia, todo mundo que o Helton via na rua ele convidava: -.rapaz, vai ter um rock ali mais tarde no 765, aparece lá. Vai ter um rock, vai ter um rock...



A festa lotou. Eu já sabia que ia dar bom, já havia tocado lá há dois anos e a galera tanto comparece quanto é meio insana dentro da roda. Das bandas todas que tocaram, o repertório era recheado de cover, isso já era de se esperar. Porém o que chamou atenção foi o fato de todas elas tocarem pelo menos duas músicas  autorais cada uma, o que eu vejo como bom avanço. O Helton tocou tudo de boas, não esqueceu nada para quem fez um único ensaio, mesmo a música autoral lá da banda do Matheus.



Na mesma noite também rolou em outro lado da cidade a Pirigay, o que não atrapalhou em nada o Punkada Rock. A galera permaneceu até o final. O evento acabou por volta das 3h da madruga e eu, Eryka e Helton voltamos a pé para casa, onde desabamos até umas 10h do domingo.



No domingo, o mesmo amigo do Helton que nos levara para o Caldeirão estava nos convidando para ir até a Cachoeira do Bota Fora, que eu e Eryka não conhecíamos. Pegamos a BR, entramos em uma estradinha de 7 quilômetros, deixamos o carro lá numa comunidade e seguimos por uma trilha de mais de um quilômetro e repleta de pedras enormes até encontrar a cachoeira. Lá chegando tinha uma galera de uma das bandas que havia tocado na noite anterior. A água era muito gelada, o sol não entrava com seus raios em plenitude na cachoeira, mas dava pra sustentar de boas. Nós saímos de Piripiri para cachoeira umas 11h e pouco da manhã, voltamos às 14h para almoçar. O pai do Helton havia assado um coração na brasa, que meu deus já quero de novo. Depois disso banhamos e o Helton foi nos deixar na rodoviária. A irmã dele pediu uma motoca emprestada para uma vizinha e levou a Eryka, ou seja, o Helton não precisou dar duas voltas dessa vez.


Ao que tudo indica, dia 24 viajaremos para Barras, onde lanço o meu disco durante o Grito Alternativo, evento organizado pela moçada da cidade, assim como foi em Piripiri. Durante o fim de semana que eu e Eryka passamos em Campo Maior e Piripiri, o Agostinho realizou o lançamento do livro dele, O Que Acontece Quando Não Estamos Olhando, em Parnaíba e foi um sucesso como vi nas fotos e li algumas matérias a respeito. Tem aqui um parecer sobre a obra.

Em Piripiri, além do Punkada no sábado, dia 13 de Julho, no Dia do Rock, a moçada organizou outro evento, o Sol Mais Rock na Praça do Reencontro, que teve início por volta das 17h e contou com mais de cinco bandas. Esse eu não pude ir, já estava em Teresina, mas vi umas fotos e sei que o rock rolou noite adentro e tudo ali sendo feito pelas mãos dos jovens, como deve ser. Em Teresina dia 23, vai rolar o Hotel Ferrugem no Núcleo de Artes Vapor Barato, com quatro bandas, todas autorais e tem tudo pra ser massa também. Mas eu vou ficando por aqui, até a próxima viagem. Um dia a gente encontra esse humanoide.

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