quinta-feira, 28 de julho de 2016

Bernardo Aurélio te explica como apoiar a publicação de uma nova revista do O Máscara de Ferro. Confira!

Bernardo Aurélio, o criador do personagem “O Máscara de Ferro”, é formado em História pela Universidade Estadual do Piauí (Uespi) e mestre em História pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Publicou também o quadrinho Foices e Facões, retratando a Batalha do Jenipapo pela independência do Brasil que aconteceu em Campo Maior e é um dos donos da livraria Quinta Capa, referência na venda de hqs, quadrinhas e cultura nerd em Teresina.



Recentemente o quadrinista iniciou uma campanha para financiar a edição de uma revista com novas histórias do herói Máscara de Ferro. E é disso e mais um pouco que iremos falar nessa entrevista feita à distância e publicada com um pouco de atraso. Bernardo traz um panorama do mercado de quadrinhos, fala sobre representatividade em HQs, dom, entre outras coisas. Confira!

Tem três semanas que você iniciou um crowdfunding. Gostaria explicasse o que é um e o seu objetivo ao abrir uma campanha dessas de colaboração online.

Crowdfunding é um sistema de financiamento coletivo na internet. Você cria um projeto que precisa de “x” em dinheiro para fazer acontecer, lança-o em uma plataforma digital para iniciar a campanha (a mais conhecida no Brasil é o site Catarse, mas o kickante também começou com força) e espera que as pessoas apoiem seu projeto, financiando sua realização em troca de algumas recompensas. O meu projeto é de uma publicação de uma revista em quadrinhos de um personagem que criei: Máscara de Ferro. É um projeto de baixo custo e esperávamos atingir a meta em menos de duas semanas para trabalharmos em metas estendidas. Estamos conseguindo...

Qual a meta inicial que você estipulou para o projeto? Em quanto tempo você a alcançou? Depois disso foi preciso reinventar uma nova meta com novos produtos, fale um pouco dessa parte.

A meta inicial era de apenas R$1500 e envolvia a publicação de uma HQ de apenas 20 páginas. Conseguimos essa grana em poucos dias. Na verdade, eu pensava em fazer esse esquema e já tinha meio que planejado o que queria fazer, porque esse projeto é uma releitura de outro que tentamos antes e não conseguimos. Eu tinha feito um projeto de publicar um livro do personagem e precisava de R$5mil. Isso foi no final do ano passado. Só consegui 32 apoios e 42% do que precisava. Revi esse projeto, transformei o livro em revista e diminuí a meta. Hoje, neste novo projeto, eu estou com 61 apoios e 170% do valor que pedi (em torno de R$2550), o que na verdade, é apenas pouco mais de R$400 em cima do projeto anterior e quase o dobro de apoiadores.

Faltam cinco dias de campanha e estou trabalhando com a última meta estendida: R$4mil, onde teremos uma revista de 52 páginas. As metas estendidas são bacanas porque se você apoiou com R$10 esperando ter seu nome citado nos créditos como financiador e uma revista de apenas 20 páginas, você poderá receber uma revista, na verdade, com 52 páginas pelo mesmo preço.




Se não me falha a memória, não é a primeira vez que você tenta publicar através de crowdfunding, porém algo deu errado em uma tentativa passada. Em sua análise o que pode ter contribuído para o não sucesso de sua campanha anterior e o que houve que nessa a campanha de cara, em pouquíssimos dias, atingiu o teto inicial?

Na verdade, essa é a terceira vez que uso o Máscara numa campanha para o Catarse.  A primeira foi bem-sucedida, em 2013, e conseguimos R$2.815,00, que ajudou para lançarmos o livro Por Dentro do Máscara de Ferro. Foi bacana, tivemos um bom vídeo (isso é importante), já tínhamos uma grana e só usamos o que conseguimos para melhorar nosso livro. A segunda campanha eu, realmente não sei... Fiquei muito desapontado com ela. Quero acreditar que foi um período de forte concorrência, próximo ao FIQ, evento onde teve mais de 300 lançamentos e na época haviam mais de 60 projetos de quadrinhos no Catarse. Mas, percebi que tenho atingido valores nessa média de R$2,5mil (a não ser que a próxima semana me surpreenda mesmo e consigamos os R$4mil). Meu público é esse. O primeiro projeto teve 48 apoios. O segundo, 32, e esse já tem 61. Conseguirei 80? 100? Seria grata surpresa. Procurei trabalhar em cima do valor que já vinha arrecadando. Mas esse projeto teve uns diferenciais nas recompensas. Até agora, apenas 25% dos apoiadores estão comprando, única e diretamente, o produto “Máscara de Ferro”. O restante, está comprando crédito na livraria Quinta Capa Quadrinhos: investe R$50 ou R$100 e depois, retira esse valor em produtos da livraria, ou então estão comprando o Kit Cantinho do Caio, revistas do meu irmão que fazem sucesso Piauí afora. Então, oferecer boas recompensas, é fundamental.

Você conhece outros artistas aqui do nosso Estado que tem material lançado, publicado via campanha de financiamento coletivo?

Sim. O Felipe Portugal teve projetos financiados em parceria com outros projetos. Eu também já consegui financiar o projeto Feira HQ, que reúne várias obras. Teve também o Leno Jefferson, que desenhou a HQ Aurora, escrita pelo ator Felipe Folgosi e que arrecadou mais de R$40mil. Meu irmão, Caio Oliveira, arrecadou mais de R$16, que lhe permitiu imprimir 3 revistas (Marvel Hipster, Alan Moore Mago Supremo e Panza).

Por que passar um personagem seu, no caso, o Máscara de Ferro, a outro desenhista? Estou falando do Joniel Santos, quadrinista que desenhou uma história do Máscara de Ferro que acontece em outro planeta.

Às vezes escrevo algo e penso que seria incapaz de desenhar certas cenas. Na real. E o Joniel é um cara que admiro muito e sou muito feliz pelo fato dele ter topado fazer e melhorado exponencialmente essa HQ que escrevi. Atualmente, tenho sondado outro desenhista daqui do Piauí, no estilo mangá, um cara que adoraria que fizesse uma HQ que estou esboçando esses dias. Quando comecei a escrever, pensei: “essa HQ é pra ele!”. Já mandei o recado, espero que ele aceite, porque terá referências a tokusatsus dos anos 80 e tenho certeza que ele curte muito isso. E, claro, ele faria muito melhor que eu. Meu irmão desenhou uma HQ do Máscara inédita, que tem 32 páginas, e ela estará em meu próximo projeto no Catarse.



Como estão distribuídos os pacotes, valores e retribuições do seu crowdfunding?

Tem várias opções. O catarse tem um valor mínimo de contribuição, que é de R$10. Com esse valor, você já recebe a revista do Máscara. Tem outras, de 25 ou 30 ou 50, onde você pode receber, de acordo com o valor, a revista do Máscara que será produzida no projeto, o livro Por Dentro do Máscara de Ferro e as 3 revistas do meu irmão Caio Oliveira. Tem também opções com autógrafos especiais desenhados por mim. Aquelas opções de crédito na livraria, já acabaram.

O que você pensou inicialmente para divulgar a campanha?

Fiz um vídeo muito simples. O objetivo era ter a revista desenhada pelo Joniel para que ele levasse à Comic Com, o maior evento de quadrinhos do Brasil, em dezembro, São Paulo. Ele vai estar lá e queria que essa revista fosse produzida. É bom para ele e ótimo pra mim. Fiz um vídeo muito simples e deixei todas as HQs disponíveis on line: a pessoa pode ler antes de apoiar. Isso é um diferencial no Catarse, já que muito material que vai pro site ainda está em produção.

No Piauí para quem deseja trilhar os caminhos do desenho, das artes plásticas, hq, o que deve estudar, onde ir, com quem falar, o que conhecer?

Isso é um problema! O Piauí não tem escola pública de artes plásticas, como existe a Escola de Dança, de Música, de Teatro. Não tem! Se você quiser estudar, tem de procurar cursinhos que não existem ou entrar na UFPI ou no IFPI e não sei se os cursos lá formam mais artistas ou professores de arte e, pra falar a verdade, se você precisa ter entre 18 a 20 anos pra entrar num curso desses pra começar a estudar artes, já está um pouco atrasado, né? O lance aqui é instintivo, é autodidático (ou auto didático?). Na melhor das opções você consome boas referências no seu meio, no caso, espelha-se em bons autores de quadrinhos e tem um grupo de amigos-desenhistas críticos que poderiam lhe apontar erros. Depois é procurar manuais de desenhos de autores renomados, é correr atrás, usar a internet e se arriscar em técnicas e estilos. Posso falar que esse foi meu caminho e o da maioria dos desenhistas de quadrinhos que conheço daqui. Alguns foram mais exigentes consigo mesmo, outros reconhecem suas limitações (meu caso).



Desenhar é um dom, é inato, dá para aprender a fazer isso profissionalmente?

Dá pra aprender sim. Não acredito nessa coisa de “inato”, “dom de deus”. Acontece que algumas pessoas estão mais sensíveis ao aprendizado por causa de N fatores que acompanham sua formação. Eu já dei aulas usando uma técnica chamada “desenho pelo lado direito do cérebro”. É uma teoria muito bacana que ensina como o aluno pode estimular seu lado sensitivo e aprender a olhar os objetos de uma maneira diferente que lhe permita representa-lo mais facilmente em pontos e linhas e planos, os elementos básicos do desenho. Uma teoria que lhe ensina o figurativo, o primeiro passo dentro do mundo subjetivo das representações que você pode criar. Recomendo a leitura para qualquer iniciante. A autora é Betty Edwards.

Aparentemente, o mercado brasileiro de desenhos, desde quadrinhos a games só parece crescer. Essa é a nova linguagem da juventude? Ao que você atribui esse interesse?

Posso falar um pouco melhor sobre quadrinhos. Acredito que o mercado não é tão grande quanto na década de 1950. Quero dizer, acredito que o público era maior naquela década. Quer dizer, a TV ainda não havia se popularizado de verdade. HQs eram um dos principais culpados da delinquência infanto-juvenil (kkk). Eles eram realmente muito consumidos. Hoje não é mais nem a TV, mas sim a internet, os sites de pornografia, Pokemon...

Mas sim, o mercado de quadrinhos tem melhorado esses últimos anos. Recentemente li que o mês de junho de 2016, nos EUA, foi o melhor desde 1997. O melhor em quase 20 anos! O Brasil também tem uma onda grande de autores independentes. O Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), em Belo Horizonte, de 2016 teve mais de 300 lançamentos (meu irmão lançou suas 3 HQS que financiou no Catarse lá). Então, sim! Estamos tendo um crescimento! Aqui no Brasil, atribuo isso ao autor independente. Há décadas temos autores ótimos entre os top 10 do mercado norte-americano, mas não tínhamos um evento lançando 300 novos trabalhos! Então, o financiamento coletivo e as editoras independentes são a ponta desta lança. Outro argumento levantado lá pela notícia do site gringo, sobre o sucesso de vendas de junho, foi a questão da diversidade. Os quadrinhos estão cada vez mais envolventes, procurando o público feminino, homossexual, negro e outras “minorias” que não eram representados: isso parece que funcionou mesmo. Me surpreendi com a grande quantidade de autoras mulheres lá no FIQ.

Faltando duas semanas para o fim da sua campanha e você já atingiu duas metas estipuladas. O que pretende agora?

Se atingirmos os R$4mil teremos uma revista bacana, com certa unidade de enredo entre as HQs envolvidas e já seria um recorde para mim. Ficarei muito satisfeito. O que virá adiante serão outros projetos. O Máscara possui muitas histórias que eu preciso publicar para me apresentar como um autor minimamente produtivo e sprecisarei da ajuda de todos vocês.

A campanha no catarse segue até o dia 01 de Agosto. Dá tempo fazer essa publicação acontecer. Corre lá ou AQUI


Bernardo Aurélio te explica como apoiar a publicação de uma nova revista do O Máscara de Ferro. Confira!
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