sexta-feira, 29 de julho de 2016

Hotel Ferrugem - Geração TrisTherezina em um rolê único


O Sol ia se pondo por trás dos prédios e o céu tinha uma coloração alaranjada, era o que eu via da janela do ônibus linha São Cristovão, enquanto ele passava pela Ponte JK. Eu estava a caminho do Núcleo de Artes Vapor Barato me guiando pelo mapa do Google e dez reais no bolso. Desci na Praça da Liberdade, o Sol já tinha se posto e a noite, enfim, escurecia o outrora céu alaranjado. 18h30min. Sozinha no centro em um dia de sábado à procura de uma rua. Achei. Era de fácil localização, porém não aconselho ir sozinho (a) naquela região a noite. Chegando ao evento, encontrei minha prima Eryka e o parceiro da caçada aos humanoides em Demerval Lobão, Agostinho. As bandas (Cianeto HC, Cidade Estéril, Old School Kids e Valciãn Calixto) iriam chegando aos poucos e testando o som e equipamento.

À medida que os músicos chegavam, minha prima fazia um carimbo para as pessoas, ela iria ser a bilheteria/caixa. O negócio era nada mais nada menos que uma borracha cortada com as iniciais do coletivo: Geração TrisTherezina. Fui vítima dos testes de consistência do carimbo. Depois de ser cobaia, fui dar uma volta pelo espaço e achei interessante um canto onde ficava a exposição de fotos do Breno Andrade. Eu já o seguia no instragram e, portanto, conhecia um pouco do seu trabalho, porém nunca tinha visto as fotos de um ponto de vista psicodélico, isso porque colocaram um canhão de luz que emitia várias cores em um espaço-tempo muito rápido. Imagina aí várias fotos lindas com uma viagem psicodélica junto? Ali também estavam as ilustrações do Joniel. Tudo lindo.



Do lado havia os livros O Que Acontece Quando Não Estamos Olhando (Agostinho Torres), Beeline (Joniel Santos) e Reminiscências do Caseiro Genival (Valciãn Calixto). A venda dos livros estava sob responsabilidade do Agostinho (que nem olhou pra banca depois dos 10 minutos iniciais dos shows).


Aos poucos algumas pessoas chegavam, a Eryka desistia do carimbo e eu comprava algo para beber no barzinho do local, fiquei muito indecisa já que havia as várias opções de: água, refrigerante e Itaipava. Enfim hidratada, as bandas já estavam no local e o guitarrista da Cianeto HC, o Robervan, se desesperava. Acontece que seu pai foi deixá-lo lá no Núcleo de Artes e antes os dois passaram na Praça do Fripisa, onde ele perdeu ou esqueceu a carteira. O Robervan voltou lá onde tudo aconteceu com o Pablo (guitarrista da Cidade Estéril), mas sem sucesso. 

A primeira banda já começava a tocar, era a Old Scholl Kids, a banda do Joniel, o som deles me fazia voltar pra 2004, sentada assistindo “Malhação”, aquela boa e clássica, ou dentro do quarto com minhas primas ouvindo Green Day ou My Chemical Romance. Agradeço imensamente por isso. O som se desenrolava e eu o curtia lá de fora, conversando, fofocando com a Eryka e o Agostinho, até sermos surpreendidos com um carro de um senhor que disse:"É aqui que vai ter umas bandas de rock tocando?", e gesticulou com as mãos como se fosse uma guitarra. Esse era o cara que havia achado a carteira do Robervan, pois havia pesquisado o nome dele no Facebook e descoberto que naquela mesma noite ele se encontraria no Vapor Barato fazendo um Rock. Enfim, a carteira foi devolvida sem os 400 reais que estavam lá dentro, sem as palhetas da guitarra, mas com todos os documentos. Era uma vitória ínfima, mas melhor que nada.



A segunda atração a se apresentar era Cidade Estéril, banda do João Pedro e do Pablo, o “Jimi Hendrix do Santa Maria da Codipi”. Era interessante o fã clube que essa banda tinha no evento, o João havia convidado três amigos pra ver o show, que estavam pulando e cantando as canções. Rolou até meio que “um barzinho e uma guitarra” com umas músicas mais acústicas. 
Eu já havia me rendido a uma Itaipava e a dividia com a Eryka, de gole em gole passou-se o show. 


E foi a vez da Cianeto HC, banda do mestre historiador Heitor Matos e do guitarrista, agora com seus documentos de novo, Robervan. Era o primeiro show deles, depois do lançamento virtual do ep “Decair”, lançado esse ano. O disco e as letras são bacanas, mas chegada a terceira banda o som já estava ruim e apesar da performance, não havia a qualidade audível em que o EP em si é.



O show se foi, a última banda iria se apresentar, e adivinhem quem iria fechar o evento? Sim, o cantor do disco Foda!, Valciãn Calixto, que já está pra lá de acostumado a fechar os shows (leiam “Humanoides invadem Demerval Lobão”). Bem, como eu havia dito antes, o som não estava lá essas coisas, na verdade estava bem ruim. Mas o show iria continuar, o que não acabaria com a “magia” dentro de mim que o disco havia proporcionado. Terminado o show, todos os vocalistas das bandas foram convidados a subir ao palco pra cantar, era a tão esperada música: Hotel Ferrugem! O evento foi batizado com o nome dessa linda canção do Joniel Santos. E assim ao som dela, nas vozes e coro de todos os componentes do Coletivo, o evento foi findado.


O evento Hotel Ferrugem tinha sido realizado e foi uma oportunidade minha de conhecer a Geração TrisTherezina ao vivo. Trabalho feito com profissionalismo, alegria e muita vontade de dar certo. É como a frase do Valciãn diz: "Nada tem sido fácil tampouco impossível”. Foi possível e deu mais do que certo, apesar dos problemas relacionados com o som depois da metade dos shows. Fui embora com a sensação de que para cada membro do TrisTherezina aquela foi a primeira noite dos restos das suas vidas. E dias cada vez melhores certamente virão.



Todas as fotos por Breno Andrade - Instagram: @piauinatural.

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