quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Confira "Cerca Trova", novo lançamento do coletivo Geração TrisTherezina

Foto: Deivid Almeida/ Modelo: Marjorie Monteiro


Cerca Trova é o disco de estreia do projeto Arayuí, que tem a frente o piauiense Lucas de Miranda (19). Com oito faixas, o trabalho aparece como o quarto lançamento do coletivo/selo Geração TrisTherezina em 2017 sucedendo ao VOL. I da Eletrique Zamba, Estilhaços da Cianeto HC e Cegos Pugilistas da banda Cidade Estéril.

Lançado em parceria com o selo Lo Slow Records, de Curitiba, onde atualmente Lucas reside e cursa Análise e Desenvolvimento de Sistemas na UFPR, Cerca Trova foi gravado em seis meses, entre abril e outubro deste ano no Paraná, embora o músico tivesse deixado o Piauí com boa parte das músicas já prontas.

Natural de Barras PI, município localizado a 127 quilômetros da capital Teresina e a 3.158 quilômetros de Curitiba no Paraná, Lucas questionou as relações humanas do século XXI e melancolia da cidade.

Com sonoridades voltadas para o shoegaze e noise, essa vertente de gênero acrescenta diferentes ritmos ao cenário musical piauiense. Em um contexto “do it yourself”, o Projeto Aräyuí conta com composições, mixagem e gravações em home studio, características que se somam a cena independente nacional.

Ouça aqui: 




1 – O que é Aräyuí e de onde surgiu?

Aräyuí foi um pequeno trocadilho que fiz com meu pseudônimo “Arä” e com o nome do estado do Piauí “uí”. Surgiu em uma conversa que eu tive com o Valciãn Calixto, sobre como eu deveria nomear o projeto. Antes, tinha ideia de chamar de ‘Qorpo-Santo’, mas ficamos preocupados se traria algum problema pra mim, pois usar o nome do autor sem nenhuma autoridade poderia dar problema. Então, ele me sugeriu colocar “Aräyuí” me apeguei ao nome, gostei e ficou assim.

2 – Em que aspectos a transição Piauí – Curitiba contribuiu para o projeto Aräyuí?

A transição na verdade ajudou muito o projeto a se consolidar, pois aqui eu pude conhecer muitas sonoridades que se aproximavam do que eu estava querendo para meu projeto, além de enriquecer o repertório de ideias, parcerias que conheci por aqui e que tiveram sua importância no rumo do disco, como produtores e músicos da cena.

3 – Qual a relação entre a obra de Dan Brown e Cerca Trova?

Aos meus olhos, o álbum foi feito na intenção de ser como um pequeno jogo, onde cada música conta uma história diferente, porém com suas semelhanças. E a quem ouve, pode ir identificando-se com as histórias contadas, assim dizendo “procurando e achando” sua identidade dentro do álbum, pra mim essas seriam o tal ‘Cerca-Trova’.

4 – E como surgiu o convite para integrar o Coletivo Geração TrisTherezina?

O convite veio no acaso nos dois coletivos. Primeiro foi quando conheci o Valciãn em um show quando estava em Teresina, anteriormente eu já tinha ouvido os projetos solo dele e ele sabia superficialmente que eu tinha já um projeto pessoal em mente. Quando eu mandei algumas demos das faixas, ele curtiu bastante e me fez o convite de integrar ao selo da Geração Tristherezina. A mesma coisa aconteceu com o Rawph, com a Lo-Slow Records, aqui no cenário de Curitiba. Conhecemos-nos em um show, trocamos ideias e cada já tinha seu próprio projeto em mente. No mês de agosto ele falou que estava criando um selo independente aqui para a cena curitibana e me convidou pra integrar ao coletivo.

5 – Há quanto tempo você reside em Curitiba e quais semelhanças ou diferenças são observáveis em relação a Teresina?

A quase um ano que estou morando aqui em Curitiba e tanto as semelhanças como diferenças são meio que parecidas e notáveis. Uma coisa que pude observar, é que como em Teresina, Curitiba não é dessas capitais enormes e com a loucura do trânsito, violência e todas as complicações de megalópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. Aqui ainda é uma capital bem tranquila como Teresina, e é multicultural, já que aqui é comum a vinda de pessoas de diversas partes, de cidades vizinhas com intuito de estudar ou trabalhar. As diferenças, além das óbvias como o clima (risos), é que em Curitiba há mais atividade artística independente, seja na música ou artes plásticas. Outra diferença gritante seria a questão da infraestrutura pública que é muito bem introduzida. Há parques públicos abertos, transporte público de boa qualidade percebe-se uma maior atenção do poder público em relação à educação e cultura para atender melhor a população.

6 – Nesse tempo residindo no Paraná, você pôde assistir algum show que dificilmente veria no Piauí nos próximos 20 anos?

Não pude presenciar, mas a quantidade de artistas de porte internacional e de fama nacional é bem maior. Por ficar razoavelmente perto de grandes capitais, é bem mais numeroso o número de atrações de artistas “grandes” no ramo da música, além de outras segmentações da arte, como na literatura e artes plásticas.

7 – Sobre selos independentes, em sua opinião, qual a importância da existência do mesmo para projetos como o seu?

A importância de selos independentes pra cena é muito grande, pois ajuda artistas que estão começando a se desenvolverem melhor. Seja divulgando, levando você aos lugares certos, escolhendo bons caminhos para quem ainda não tem noção de como tudo isso funciona. Fora o fato também o empenho que todos têm em compartilhar seu trabalho, o que cria certa relação de amizade entre os envolvidos.

8 – O que você anda ouvindo?

Ouço ainda muito os artistas que ajudaram a moldar o estilo do Aräyuí, como Jair Naves, Lupe de Lupe, Gorduratrans, Amandinho, Boogarins e afins. Não só os trabalhos antigos, mas quando posso, acompanho todos os lançamentos e projetos da cena brasileira. Além disso, tenho descoberto artistas novos e venho moldando cada um deles para já preparar o lançamento quem sabe um segundo álbum.

9 – Como a população curitibana tem se posicionado diante de o senado ter devolvido o mandato do Aécio Neves?

Sobre assuntos políticos, não tenho o que opinar muito, pois as pessoas dificilmente estão discutindo política nesse momento. Mas creio eu que como em todo resto estamos indignados com a notícia, reclamando da corrupção de mãos atadas e não sabendo em quem por a culpa de todos esses escândalos.

10 – Como você ameniza a saudade do calor de Teresina aí em Curitiba?

Pior que não tem como, sinto muita saudade do calor de Teresina e do Piauí no geral. Estes últimos dias meus pais estiveram aqui comigo e me trouxeram um pouco desse calor, pra aliviar um pouco a saudade. Mas procuro voltar a minha terra natal, para rever amigos, parentes e reacender um pouco da chama do famoso do B-R-O BRÓ.

11 – O que você acha dessa geração de artistas piauienses da contemporaneidade: Geração TrisTherezina, Gleyfy Brauly, Gyselle Soares e Z Maguinho do Piauí?

Está acontecendo um fenômeno na internet de pessoas da nossa terra a ficarem tão famosas rapidamente. Leva-se em conta a questão do carisma e da humildade que cada um teve por fazer seu trabalho. Tanto Gleyfy Brauly, quanto o Z Maguinho divertem muito o público e em um mundo tão conturbado como vivemos hoje em dia, um pouco de alegria nos sempre é bem-vindo.
A importância do selo da geração merece seu destaque também, pois eleva a cena underground na região e incentivam cada vez mais artistas a se mostrarem ao público. Quanto a Gyselle não tenho o que opinar, pois não conheço o trabalho dela ainda, mas vou procurar conhecer.

Acredite, Lucas, é melhor continuar sem conhecer.


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