terça-feira, 10 de outubro de 2017

Cuphead, o jogo indie de 2017

Ouvi falar de Cuphead pela primeira vez durante a E3 de 2014. A princípio o que chamou mais atenção da imprensa especializada foi o seu gráfico cartunesco, que emulava perfeitamente desenhos muito antigos. O jogo se tratava basicamente de um plataforma 2D com gráficos cartunescos surreais e uma pujante trilha sonora de jazz. É importante ressaltar a palavra “surreal” porque os desenvolvedores deliberadamente quiseram capturar principalmente o aspecto subversivo e surrealista desses desenhos antigos, como objetos inanimados que ganham vida, contato com o outro mundo (lembramdo Pica-Pau conversando com a Fome?) e personagens bastante psicodélicos. As principais referências foram os estúdios Fleischer e Disney nos anos 30, que naquele momento da animação não faziam exatamente desenhos para crianças, sendo essa tendência infantil dos anos 40 em diante.


O desenvolvimento de Cuphead começou em 2010 com os irmãos Chad e Jared Moldenhauer no pequeno estúdio StudioMDHR. Após longos sete anos, quando grande parte do publico que ficou ansioso pelo jogo em 2014 já havia perdido esperanças de que o mesmo seria finalizado, no fim de Setembro 2017 Cuphead finalmente foi lançado. Superando quaisquer expectativas o jogo acabou se tornando uma das maiores surpresas de 2017.

Embora apresente um gameplay simples, Cuphead tem uma carga nostálgica que é impossível ignorar, uma trilha sonora maravilhosa e um gráfico sem igual, além, é claro, de uma jogabilidade retrô bastante agradável.

Enredo do Jogo: Nunca Faça um Acordo com o Diabo

O enredo de Cuphead é bastante simples, como vocês irão ver na verdade ele é apenas uma justificativa para sairmos por aí metendo pancada em um monte de personagens esquisitos que não nos fizeram nada. Cuphead e Mugman, nossos protagonistas, estavam andando por aí quando acabaram parando no casino do Diabo, que é administrado pelo Mr. Rei dos Dados. 

Os irmãos estavam ganhando tudo, quando o próprio Diabo aparece e faz uma proposta: se ganharem mais uma vez nos dados eles ficam com o lucro do casino, já se perderem... A alma deles passa a pertencer ao Diabo. Ignorando o seu irmão, Cuphead joga os dados e perde a aposta. Tendo perdido suas almas para o Diabo eles imploram pra pagar o débito de outra maneira: Cuphead e Mugman vão sair pelo mundo coletando as almas das pessoas que devem pro Demônio.

Gameplay: Dificuldade no Talo

A fórmula do jogo é a seguinte: a gente sai andando por vários mundos enfrentando no mano a mano as pessoas que devem a alma ao Diabo. Quando derrotamos um desses inimigos fechamos um contrato. Parece repetitivo, né? Mas não se engane, nesse jogo cada inimigo é único e eles têm várias transformações com poderes diferentes, o que torna a jogatina sempre interessante.

Cuphead e Mugman podem atirar, andar, pular e usar dash pra se jogar pra frente rapidamente. O tiro e o dash podem ser alterados com itens que compramos na lojinha do jogo, cada tipo de tiro e pulo tem vantagens e limitações. Com o tempo também obtemos alguns ataques especiais, que podem ser usados quando acumulamos certa quantidade de poder numa barrinha específica.

Alguns inimigos exigem que usemos um avião, que tem uma jogabilidade parecida com a normal. A diferença é que em vez do dash o personagem pode encolher pra escapar melhor de objetos que são jogados em sua direção.


Além dos contratos que precisamos cumprir, existem algumas fases de plataforma “normal”. Coloco normal entre aspas porque ao começar a jogar Cuphead, para mim uma das maiores surpresas foi a sua dificuldade insana. Não se ache muito ruim se acabar ficando de 30 minutos a 1 hora enfrentando apenas um inimigo, a dificuldade deste jogo é realmente grande! Lembra muito jogos como Contra III, que faziam até os players mais hardcore jogarem o controle do Super Nintendo no chão de tanta raiva. Eu joguei Cuphead no teclado, então pra mim a dificuldade foi muito maior, acredito que no controle do Xbox One o gameplay seja muito mais fluido e prático.


Embora seja extremamente difícil o gameplay de Cuphead é muito bom, mesmo morrendo várias e várias vezes pra um mesmo inimigo apelão e depois de novo para outro inimigo tão difícil de matar quanto o anterior, o jogo não se torna desagradável. Pelo contrário, a dificuldade torna cada vitória muito mais saborosa!

Processo de Animação e Trilha Sonora

Inicialmente o grande atrativo de Cuphead é sua parte visual. O jogo simula com tanta perfeição os desenhos dos anos 30 que você se sente dentro de um desenho. Os personagens são muito bem elaborados, desde o Mr. Rei dos Dados até os inimigos iniciais todos têm um design extremamente único e passam por várias transformações enquanto os enfrentamos.

Acho que o que levou Cuphead a passar tantos anos em processo de produção foi a criação de tantos personagens singulares, pois eles são únicos tanto em design visual quanto no gameplay, já que cada inimigo tem ao menos duas outras formas que também mudam a maneira como atacam. O processo de animação também foi bastante demorado, vocês podem ver no vídeo abaixo como cada quadro do jogo tinha que ser desenhado a mão, igual se fazia antigamente! A diferença é apenas que dessa vez a coloração foi feita no Photoshop.


Uma surpresa positiva do jogo foi a trilha sonora. Esses desenhos antigos têm sempre como trilha de fundo um monte de temas de jazz, desde os dançantes aos tristes e cômicos. Cuphead captura isso muito bem, a ponto de mesmo sem ter terminado de cumprir os contratos num certo mundo, eu constantemente ir visitar o Mr. Rei dos Dados só pra ouvir a sua trilha sonora fodona.

Conclusão sobre Cuphead

A quantidade de notícias sobre Cuphead no ano passado foi tão pouca que a maioria das pessoas já especulavam se ele não teria sido cancelado. Para nossa felicidade o jogo estava apenas finalizando o seu desenvolvimento longe dos holofotes da mídia, porque Cuphead é sem dúvida um dos melhores jogos desse ano. É claro que ele não concorre em público com jogões de orçamento bilionários Triple A, mas o número astronômico de vendas na Steam e Xbox mostra que o jogo foi muito bem recepcionado.

Se você tem dinheiro sobrando – o jogo não é caro, hein - e quer um bom jogo pra platinar, pode sentar o dedo em comprar. Não vai se arrepender, Cuphead é lindo! E difícil pra carai também.
Cuphead, o jogo indie de 2017
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