terça-feira, 17 de outubro de 2017

Michel Temer: fã de House Of Cards?

da esquerda para a direita, Kevin Spacey em seu personagem Frank Underwood; Michel Temer em seu personagem de presidente democrático

O texto a seguir trata das semelhanças entre a famosa série da Netflix, House of Cards, o ingresso à presidência e as reformas propostas/aprovadas por um presidente que assumiu o poder através de um golpe.

O que diabos teria a ver o atual presidente do Brasil, Michel Temer, com a premiada série norte-americana House Of Cards (2013-)? Quem acompanha a série pode até não ter notado as semelhanças, mas eu encontrei inúmeros pontos correlatos. Contudo, não é a aprovação da crítica especializada com relação à série que parece com a aprovação do presidente brasileiro, como também não resulta no charme e o carisma de Kevin Spacey na pele do presidente dos Estados Unidos.

Para você que ainda não assistiu a série, este artigo contém alguns spoilers.

O nosso caso de amor e ódio com Frank Underwood (Kevin Spacey) começa logo nos primeiros episódios. Frank é um personagem sem escrúpulos, porém bastante carismático e verdadeiro com o público, já que constantemente rompe a quarta parede e dialoga com o espectador para nos ensinar o que vale no jogo político.

Ao concluir o seriado, nós não saímos com currículo de ciência política, mas aprendemos muito sobre o castelo de baralho dos políticos e como a casa pode cair pra qualquer um, até mesmo os mais altos na hierarquia política. E nosso protagonista, logo da primeira para a segunda temporada sai de líder dos democratas e chega ao cargo de presidente dos Estados Unidos. Se pode afirmar que a forma como o presidente fictício conquistou ao poder foi a mesma que Michel Temer (que 77% da população brasileira preferiria que fosse fictício), por meio do impeachment dos seus companheiros de chapa.

Em House of Cards, o golpe é planejado por Frank Underwood (Kevin Spacey) e seus parceiros mais próximos, entre eles, Claire Underwood (Robin Wright) e Doug Stamper (Michael Kelly). Os aliados de Temer que auxiliaram com o planejamento do golpe foram políticos bem mais fortes (“A solução mais fácil era botar o Michel”). A Câmara dos Deputados, quando votou o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, mostrou a força de partidos de políticos, grupos de direita e a participação da mídia na opinião pública. Vale ressaltar também, os panelaços e as pessoas que afirmaram: "Não é culpa minha, eu votei no Aécio Neves" ajudaram a compor a aceitabilidade da população com o impeachment.

Nesse paralelo entre o show e a realidade brasileira, Frank Underwood não obteve tanta ajuda para proceder com o golpe, com isso orquestrou tudo de modo mais limitado que Temer. O processo de tomada do poder se deu lentamente, Underwood conquistou a confiança do então presidente da série Garrett Walker e usou o apoio de deputados, jornalistas e até mesmo o vice-presidente para conseguir chegar ao cargo de vice do Garrett Walker. O personagem ainda teve a ousadia de sujar suas mãos de sangue para atingir os objetivos almejados. Eu acredito que Temer não teria a capacidade de fazer algo tão grandioso como um roteiro de uma série. Mas lá estava ele, como o representante mais forte do PMDB que marcou o rompimento da aliança com o PT.

A vida pública do nosso atual presidente brasileiro, além da conquista do cargo mais alto da república não é tão interessante quanto um roteiro de um seriado televisivo. O filho caçula de uma família de vampiros da Transilvânia (Pera... essa é a história do Drácula... Tanto faz!) estudou em duas das melhores faculdades de Direito do Brasil, se filiou ao PMDB, subindo hierarquicamente dentro do partido em busca de poder. Uma pena que talvez nunca saibamos dos bastidores da vida política repleta de podres do atual presidente do Brasil.

Outra semelhança entre a série House Of Cards e o cenário político brasileiro construído pelo governo Temer foram as reformas trabalhista e do ensino médio, aprovadas recentemente.

Na série da Netflix, o personagem de Kevin Spacey tenta aprovar o America Works, que segundo ele, levaria 10 milhões de desempregados ao trabalho. Mas as verdadeiras intenções do presidente era reduzir os direitos sociais e o bem-estar dos cidadãos. Já que aumentaria também a carga horária diária de trabalho (Parecida com a reforma trabalhista daqui né?). O programa de governo da série não foi aprovada. A verba que financiaria essa medida seriam provenientes da FEMA (Agência de Gerenciamento de Emergência), realocando a pensão de aposentados e dinheiro para catástrofes. Para a felicidade das pessoas que vivem na ficção do seriado, o dinheiro da FEMA que seria destinado ao America Works, foi concedida aos refugiados do furacão Faith que atingira os Estados Unidos. Nós brasileiros, não tivemos a mesma sorte com a medida.

Nesse sentido, não tivemos a mesma sorte e nossos direitos trabalhistas vêm sendo apagados. As mudanças na CLT (Consolidação dos Direitos Trabalhistas) foram aprovadas pela maioria na câmara e senado e, posteriormente, sancionada pelo presidente Michel Temer.

Frank Underwood, assim como Temer, outorgou reformas na educação sem a participação e aprovação da população e dos representantes dos principais setores envolvidos (professores e estudantes).

As semelhanças entre as duas figuras são bem gritantes. Será que o Temer é realmente fã de House Of Cards e se inspirou na série para governar? Ou é apenas uma coincidência da vida? Mas enquanto a série faz sucesso, com 88% de aprovação no Rotten Tomatoes, o governo Temer está definhando com seus 3% de aprovação. Enquanto a nota de House of Cards no IMDB é 9/10, o governo atual é visto de modo ruim ou péssimo por 77% da população, segundo dados do Ibope.

Podemos por fim concluir, caso Temer esteja se inspirando na série para governar não está dando muito certo. O personagem de Kevin Spacey também não é do agrado de muitos daquele universo fictício. O que nos atraí nele é a forma como nos mostra o cenário político, o jogo que está por traz de qualquer medida política e nos faz entender um pouco mais da política. Mas como a série mesmo afirmou sobre o Brasil, "está difícil de competir". A política brasileira, que é a instituição mais desacreditada, conseguiu ultrapassar uma ficção com tanta corrupção que é House Of Cards.


Tuíte feito após a delação de Joesley Batista sobre corrupção de Michel Temer

Fotos: Reprodução

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