domingo, 15 de outubro de 2017

Theuzitz fala sobre um ano de "Peso das Coisas"

Matheus Antonio é "Theuzitz"


Lançado em 2016, o disco “Peso das Coisas” de Matheus Antonio completou um ano nesta última sexta feira (13). Em uma entrevista para o Diretório Literário, Theuzitz, apelido carinhosamente dado pelos amigos e assumido artisticamente por Matheus Antonio, nos fala sobre o disco, o selo Pessoa que Voa, coletivo paulista que participa, e explana sobre os projetos de sua carreira. Sua primeira mixtape, mixado sozinho e lançado pelos selos Lixo Records (Rio de Janeiro, RJ) e Banana Records (Fortaleza, CE).

“Peso das Coisas” sua primeira mixtape (compilações de canções), tem 43 minutos de duração, divididos em 11 faixas, que nos tocam não somente com a sua temática, mas na constatação de quão atual pode ser. Ao abordar temas sociais como suicídio, religiosidade, sexualidade e empatia social, Theuzitz expressa em versos musicados crônicas cotidianas na vida dos brasileiros. Sua obra me faz lembrar o que senti com as letras do disco “FODA!” do piauiense Valciãn Calixto e posteriormente com “A Maldição Desta Cidade Cairá Sobre Nós” da banda Ximbra de Maceió (AL). 

Morador da microrregião de Osasco (SP), Jandira, Matheus Antonio se considera um jandirense, apesar de ter nascido na grande São Paulo (Capital) e residido por quatro anos. Compreender e aceitar onde cresceu é uma das concepções que Matheus nos conta ao falar da relação comunidade e música, essa já perceptível em o “Peso das Coisas”.

Os gêneros musicais presentes no disco vão do shoegaze, ao folk, ao samba, dreampop, jazz e outros. Essa mistura de ritmos e o simbolismo em suas canções são parte do processo criativo do artista, que de forma honesta e limpa nos convida a sairmos de dentro de si mesmo e olharmos mais o mundo. E assim, há um ano, Theuzitz nos mostra o quão pesado é o Peso das Coisas.




Capa do disco "Peso das Coisas" por Matheus Antonio




DIRETÓRIO LITERÁRIO - Após 1 ano de lançamento como você enxerga o "Peso das Coisas"?

Matheus Antônio - O “Peso das Coisas” ainda que como uma mixtape foi o passo definitivo pra mim no sentido de me apresentar como compositor mesmo. Consegui desenvolver uma linguagem só minha e lembro-me dessa ser a minha intenção principal no momento. Olhar em retrospecto é sempre perigoso, é o ponto de vista de quem você quer ser contra quem você achava que era. Eu não gosto de saudosismo, mas ouvindo hoje gosto de muita coisa e tenho orgulho do que fiz.

O seu disco foi lançado por selos de outros estados, tais quais Banana Records (CE) e Lixo Records (RJ), como isso te influenciou pra criar o coletivo "Pessoa que Voa"? E por que não fez isso antes?

Bom ressaltar que a “Pessoa que Voa” já existia desde o “Pyro”, o primeiro disco do Vinícius Mendes, lá em 2015. Ela tomou força nesse ano porque todo mundo que integra o selo foi se aproximando muito e queria fazer o rolê acontecer aqui em São Paulo. Acho que não aconteceu antes essa organização porque o pessoal estava mais focado em produzir arte do que pensar nesse outro lado. Hoje todo mundo já tem pelo menos um disco, então, é mais tranquilo.


"Pessoa que Voa" coletivo paulista


O "Peso das coisas" tem o mesmo nome de uma música do Pato Fu do disco "Tem, mas acabou". Inclusive você participou, em 2017, de uma coletânea da banda. Pato Fu é claramente influente no seu processo criativo, pode nos falar um pouco como isso acontece?

O Pato Fu me deu a possibilidade de ver que dava pra fazer música estranha e pop ao mesmo tempo no Brasil. Eles trouxeram essa experimentação dos Mutantes de uma maneira contemporânea e leve a cena da época e até hoje não soam em nada datados. Pensando bem na questão, acho que a ideia de som do Pato Fu se relaciona muito com o meu processo que também é de associação. Eu parto do som, tento entender aquela textura ou harmonia e com o que ela pode coexistir, e a letra geralmente é feita simultaneamente. O peso das coisas foi composto e produzido num espaço muito curto de tempo, talvez um mês, então o caos dele era completamente o reflexo de mim naquele momento.

Ainda sobre a coletânea, vários artistas de todo o Brasil foram convidados a participar. Como foi essa experiência pra você?

Quando o Rafael López Chiocarrello da Hits Perdidos me chamou, eu fiquei muito lisonjeado porque o Pato Fu estava no meu coração há muito tempo. A experiência foi boa, teve uma boa repercussão e muitos artistas bons estavam juntos.



O Mundo Ainda Não Está Pronto - Tributo aos 20 anos de Pato Fu

Achei interessante uma resposta sua em uma entrevista para o Hits Perdidos, em que você dizia que criava as músicas nos trajetos de ônibus e metrôs. O hábito permanece?

Sempre que posso eu faço (risos). Esse ano eu estou mais em Jandira (SP) e minha casa já não é tão próxima ao centro, então meio que fiquei mais pelo meu bairro, comigo e com os amigos. Mas, curiosamente os momentos em que eu tinha o “click” de escrever, ainda que sobre Jandira, foram nos poucos momentos em que estava me deslocando daqui pra São Paulo e principalmente nas viagens aos outros estados que eu fiz pra tocar.

Você teve participação direta no disco "Coruja" da banda Quasar, que integra o casting do coletivo "Pessoa que Voa". Também fez a mixagem no segundo single "Vacilos", de Valciãn Calixto, artista da Geração Tristherezina - PI, entre outras participações em produções. Como foi essa experiência e no que acrescenta essa troca com o pessoal de longe e de perto?

Eu gosto de processos. Eu acho que para o entendimento de qualquer obra entender o processo é sempre enriquecedor, quando não, esclarecedor. Eu vejo arte assim e acho que por isso me interesso em flertar com muita coisa. A experiência nesses dois casos foi boa, com a Quasar acho que foi bem natural porque a gente ta em contato constante, se não na internet, a gente se encontra nos ensaios ou nos bares e com o Valciãn foi bem tranquilo também, porque a gente pensa parecido em muitos pontos, então tava mais aprendendo com as ideias dele pro single.

A cena do rap tem ganhado notoriedade por aqui no Piauí, li que em Jandira-SP esse gênero também o é expressivo. O Brasil como um todo tá em um momento bem rap na verdade. Pra você como é essa relação da música com a comunidade? E como você tem utilizado essas relações na sua música?

O rap nunca saiu da periferia, em alguns momentos artistas contemporâneos passam a entrar em sintonia com a população em massa, mas a bandeira do Racionais, Sabotage, Ndee Naldinho, Facção Central e tantos outros cravaram na virada dos anos 90 ainda permanece porque os anseios e sentimentos do povo ainda são os mesmos. O trabalho desses autores me despertou pra um outro ponto de vista sobre o meio que eu achava estar acostumado e me trouxe orgulho de vir de onde eu venho. Por saber disso eu me sinto livre pra poder fazer o que eu quiser, não só musicalmente.


Você escuta alguma produção piauiense? O que você considera interessante da música feita por aqui atualmente?

Sim, eu conheço a Geração Tristherezina e só, e gosto bem do Valciãn Calixto e do Eletrique Zamba.

Com o que você esteve trabalhando durante esse último ano? O que podemos esperar para o final do ano ou no próximo?

Nesse ano eu fui sair pra tocar e divulgar o disco. Conheci bem mais gente, outras cidades e outros estados e isso influenciou muito do que eu estou compondo. Primordialmente fiquei em Jandira, e tive tempo pra me entender muito mais depois do frenesi de uns anos indo a São Paulo todo dia. Agora estou envolvido na produção do disco do Marchioretto, mas de forma bem mais ampla, trabalhando desde o processo de gravação até a mixagem. Ainda esse ano eu devo lançar alguns singles e ano que vem realmente sai o meu primeiro disco, com a devida produção de um. Estou ansioso pra mostrar ele.

Acompanhe o Matheus Antonio nas redes sociais




Theuzitz






Pessoa que Voa


Theuzitz fala sobre um ano de "Peso das Coisas"
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