sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A volta do Rouge está fazendo muita gente reviver a infância e adolescência

Backstage para o Chá da Alice

Quando eu soube do retorno do grupo Rouge em comemoração aos 15 anos de formação da banda, fiquei surpreso! O choque foi ainda maior em saber que Luciana Andrade, integrante que tinha deixado a banda em 2004, estaria de volta. O comunicado aconteceu no dia 13 de setembro para o primeiro show no Rio de Janeiro. Os ingressos esgotaram em apenas três horas, com isso resultou na marcação de um novo espetáculo para o dia seguinte ao evento.

Pois bem, mas porque a decisão de fazer um texto para falar do Rouge? Muita gente, com certeza se sentiria envergonhada de dizer isso, mas eu devo esse compromisso com a minha infância e também com quem sou hoje. Aliás sempre me pego relembrando de programas, hábitos e momentos que contribuíram ao longo destes 23 anos desta pessoa que lhes escreve. Sim, eu ainda escuto Rebelde (A versão mexicana, por favor!).

Falar do Rouge é me lembrar dos finais semana na casa da minha tia, quando ela ainda morava aqui em Teresina. Momento que me juntava com os meus dois primos, Bruno e Bruna, para passar o dia inteiro brincando até cansar ou alguém se machucar! Quanta nostalgia sinto ao lembrar disso, e nesses momentos eu levava os meus CDs do Rouge, para durante as ocasiões musicais eu insistir em tocar. Eu realmente amava!

No entanto a paixão pela banda está muito além disso, revivo aqui a criança encantada por Televisão. Admiração que me levou a fazer jornalismo e optar por tantas escolhas (Daria outras boas histórias e até engraçadas de coisas que passei por isso!). E como filho único que só tinha a companhia dos primos para brincar ou a escola, aprendi a me relacionar com a TV como uma companhia. Assim nunca me sentia só, como também criava uns métodos para entender a programação. Exemplo de contar as publicidades nacionais e regionais para pensar na audiência e faturamento do canal (Olha que menino louco!).

No meio disso, a minha estação preferida era o SBT, A TVS Canal 4 de São Paulo me chamou a atenção quando pequeno (Uma outra história para o futuro). Então quando o programa Popstar começou a ser anunciado, aquilo me despertou interesse. Já que sempre fui muito nostálgico, e ver milhares de moças lutando por um sonho numa atmosfera que misturava música, dança e atuação me cativou ainda mais. Além de que a esfera midiática tem esse poder de catalisar atenção, em decorrência das nossas projeções sociais, construção de identidades e etc.

Fora que nós brasileiros somos um povo saudosista, herança ibérica. Motivo que nos faz ter prazer em rememorar lembranças do passado. Sentar e folhear um álbum de fotos antigas, compartilhar com algum amigo uma história ou causo que nos caracteriza, sempre considerei como passatempos instigantes.

Chega de papo! Então o Popstar estreou em abril de 2002, eu tinha apenas oito anos e acompanhei a cada programa a escolha das candidatas. A lembrança mais intensa que me lembro daquela atração é a quantidade de garotas no Sambódromo do Anhembi em São Paulo. Um sofrimento! O alívio veio com a escolha das meninas, Aline Wirley, Fantine Thó (A minha preferida), Karin Hills, Lissah Martins e Luciana Andrade e também do nome da girlband. Até perguntei para minha mãe: “O que é Rouge?”

Capa do primeiro álbum da banda Rouge

Após o programa começou o fenômeno, o álbum homônimo do grupo vendeu cerca de 2 milhões de cópias, eu garanti o meu (Era pirata gente, comprei com os trocados que a vó me passava). Me tornei um grande fã na época, achava muito divertida a coreografia da música Ragatanga, tempos depois descobri que era uma versão de Asejere do grupo espanhol Las Ketchup. Mas não perdeu a graça!

Era música Não dá para resistir na novela Pequena Travessa em 2002 no SBT, depois lançamento do último single Beijo Molhado, tudo eu tentava acompanhar. Fora a participação em uma série de atrações por diferentes emissoras: Adriane Galisteu, Hebe, Raul Gil e por aí vai, com exceção da Globo que naquele período ainda tinha uma política mais engessada.

Para a minha surpresa é que ao pesquisar descobri que o Popstar, na época, foi considerado um fracasso de audiência. Com uma média de 14 pontos no IBOPE, sendo que o último episódio registrou apenas 13. Vale ressaltar, o grandioso plano de marketing por trás da produção. O SBT desenvolveu parcerias com a produtora argentina RGB e o Disney Channel para realizar o Popstar. Além da Editora Abril ter entrado com o mecanismo de divulgação na web, ainda escasso naquele período. Outro ponto preciso de ser considerado é que naquela época iniciava a disseminação de programas com receita internacional no Brasil. O próprio Popstar vinha da Nova Zelândia e já era produzido em mais de 50 países.

Embora não houvesse a repercussão inicial na TV, a banda já nasceu para o sucesso. Antes mesmo da escolha das cinco integrantes, a Sony Music Brasil já havia feito a seleção de músicas e o conceito do álbum. Apesar das comparações com o grupo Spice Girls, tudo foi minunciosamente decidido. A fórmula agregou ainda canções existentes em outros idiomas (Ragatanga, Não dá para resistir, Beijo Molhado, Hoje eu Sei, Sou o que Sou, Deve Ser Amor, 1000 Segredos e Nunca Deixe de Sonhar) e regravadas pelo Rouge como uma garantia de sucesso.

A decaída da banda aconteceu em 2004 com a saída de Luciana, após o C’est la vie (para mim os dois primeiros álbuns são os melhores). Eu lembro que na época, fiquei tão triste e até magoado, já levando para o lado pessoal. O desligamento da cantora ao grupo gerou burburinho, como brigas com a Fantine, problemas relacionados ao faturamento e etc. Mas a própria Luciana alegou que precisava de um tempo para cuidar de si. As meninas ainda lançaram mais dois álbuns Blá Blá Blá (2004) e Mil e Uma Noites (2005).

Os planos para a banda eram grandiosos, ainda houve a gravação do C’est la vie versão em espanhol que com certeza teria obtido êxito pela América Latina. Basta lembrar da Anitta apostando neste mercado!

O fim da banda em janeiro de 2006 foi decepcionante para todos os fãs. Vendo por uma outra ótica, cada uma das integrantes pode crescer e amadurecer profissional e pessoalmente. O ensaio de um possível retorno aconteceu entre 2012 e 2014 com o impulso ocasionado com o programa Fábrica de Estrelas da Multishow que resultou na gravação de duas músicas Tudo é Rouge e Tudo Outra Vez, ao lado do produtor musical Rick Bonadio. Porém, uma série de questões contratuais dificultava o uso da marca Rouge e a execução de uma turnê comemorativa.

O universo viria a conspirar este ano ao favor da união das meninas e, sobretudo, dos fãs que assim como eu nunca esqueceram esta história. Nomes como o ator Thiago Abravanel e o responsável pelo Chá da Alice, Pablo Falcão se aliaram para construir um novo ciclo da banda. Pontuo aqui em como fico feliz de ver a Luciana de volta e a transparência de que as diferenças ficaram no passado. A banda são elas cinco e pronto sem mais ou menos!

Rouge durante o primeiro show do retorno da banda

Olhando para o horizonte, além dos dois shows propostos para São Paulo, há planos para uma turnê nacional em 2018, assinatura com gravadora e lançamento de um novo CD. Sim, o nosso Rouge está vivíssimo!

Encerro aqui agradecendo aos momentos de alegria e divertimento proporcionados pela banda na minha infância. E o mais importante: nunca deixar de sonhar ou lutar pelos nossos ideais, assim como não ter medo de ser quem sou!


“Cheguei aqui e hoje sei quem sou [...] Tudo é Rouge”.

*Imagens: Divulgação
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