terça-feira, 14 de novembro de 2017

Produtor Cultural de Teresina é denunciado ao Ministério Público e Polícia

Há quase um mês quatro apresentações de artistas da nova música popular brasileira foram canceladas por uma produtora piauiense, Tropicália Invisível. Nenhum veículo de comunicação (impresso, rádio, web, tv) noticiou o fato, pesando contra o jornalismo cultural(?) do Piauí.

O pesquisador e professor Nelson Traquina possui diversas publicações que versam sobre o Jornalismo. Entre temas abordados estão os critérios de noticiabilidade. Traquina diz: [...] os critérios de noticiabilidade são o conjunto de valores-notícia que determinam se um acontecimento, ou assunto, é susceptível de se tornar notícia, isto é, de ser julgado como merecedor de ser transformado em matéria noticiável e, por isso, possuindo ‘valor-notícia’.

Pois bem, só o fato de quatro cancelamentos pela mesma idealizadora seria motivo suficiente para pautar os veículos locais, caso a imprensa do estado não tivesse foco noticioso apenas em editorias políticas e policiais. A ausência de reembolso ou respostas por parte da produtora ao público, reclamações públicas e ações populares tomadas junto ao Ministério Público e à Polícia Civil também agregaram o ‘valor-notícia’ de que Traquina fala e nos pautou para esta reportagem. Até o silêncio de artistas locais, igualmente prejudicados pela mesma produtora, também motivou os fatos que aqui serão esclarecidos.



O cancelamento dos shows dos artistas nacionais Hélio Flanders, Castello Branco, Phillip Long e Francisco El Hombre impulsionou a reportagem feita pelo Diretório Literário, site independente do Piauí, a contar a história das produções de Jamile Soares.

Jamile, que não é mais Jamile, que já foi “Souto” e agora é Luccas, seu atual nome social. Que atuou com a Naveloca Produtora, Elo Produções, Souto Produções e Tropicália Invisível. Jamile que nem é mais produtora nem mais artista e sim indiciada por estelionato e processada coletivamente pelo Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON).

Naveloca Produtora

Jaloo e Maglore




No dia 03 de janeiro, Maria Clara Paz, escreve um post em seu perfil no Facebook em desaprovação ao cancelamento do show da banda Maglore. A apresentação iria ocorrer no dia 20 de janeiro de 2017, de 20h a 22h no Teatro 4 de setembro, organizada pela Naveloca Produções. A apresentação foi cancelada, segundo a produtora, por insuficiência na compra dos ingressos.

Ainda no mesmo post, Maria Clara comenta sobre a compra de dois ingressos adquiridos com antecedência, total de R$100,00, para o show do artista Jaloo, com data marcada para 30 de novembro de 2016, também divulgado e cancelado pela mesma produtora. Maria afirma que àquela altura ainda não havia recebido o dinheiro da recessão. “Tive que eu mesma ir atrás da equipe da produtora e do Sympla, empresa online por meio da qual os ingressos foram vendidos, que afirmou não ter conhecimento do cancelamento do show, eles achavam que tinha sido tudo lindo e feliz”, completa.

Procurada pelo Diretório Literário, Maria conta que recebeu o dinheiro quatro meses depois, porém pagos pelo Sympla. O atraso, segundo o site, deveu-se a ausência do reembolso dado a Jamile Soares, que não completou o pagamento. As explicações foram enviadas por e-mail a Maurício, companheiro de Maria. Ainda no corpo do texto, o suporte afirma ter solicitado o dinheiro à produtora, mas não obteve retorno.

O email seria enviado pelo site de vendas de ingressos, assinado por Andressa, no dia 09 de janeiro de 2017, explicando a situação ao comprador. “O valor foi repassado a Jamile, ela sacou praticamente todo o valor referente à venda dos ingressos, o que ficou conosco foi o que conseguimos bloquear após sua denúncia. Nós precisamos que Jamile deposite o valor restante para que possamos fazer o reembolso de todos os participantes”, apontou o email.



Andressa ainda continua e diz que ficou acordado com a produtora, que o reembolso seria feito no dia 18/01.

Outro e-mail seria enviado, agora assinado pelo suporte do Sympla, na data de 22 de fevereiro, afirmando que o site não havia recebido retorno e Jamile não havia devolvido o dinheiro como acordado anteriormente entre as partes. A medida adotada pela plataforma foi tomar o caso para si e se responsabilizar pelo constrangimento ao público, ou parte dele.



Maglore é uma banda de rock alternativo de Salvador (BA), formada em 2009. Com quatro discos lançados “Veroz” em 2011, “Vamos Pra Rua” em 2013, “III” em 2015 e “Todas As Bandeiras” em 2017. Já Jaloo é um cantor, compositor e produtor musical. É destaque na música eletrônica brasileira e lançou Female & Brega (2012), Couve (2013), Insight (2014), Insight (Remixes) (2015) e Ah! Dor! (Boss In Drama Remix) (2016). Nesta sequência inicial de cancelamentos teve ainda o show anunciado de Johnny Hooker, cantor e compositor pernambucano, marcado para 7 de abril de 2016 em um pub da capital.

Anavitoria

Pouco antes do mês de Dezembro, um anúncio de criação de evento no Facebook para a apresentação das artistas Anavitória surgiria nas timelines do público piauiense. Data do evento: 27 de fevereiro de 2017, no Teatro 4 de setembro, das 18h às 20h, ingressos pelo Sympla, realização pela produtora Elo Produções.

O nome Anavitória é a junção de nomes das artistas Ana e Vitória. Com estilo denominado folk pop, as duas meninas alcançariam notoriedade nacional ao serem lançadas pelo selo Forasteiro, criado pelo empresário Felipe Simas e o músico Tiago Iorc. A dupla tem em sua discografia três discos: Anavitória (EP) em 2015, Anavitória (disco) em 2016 e Anavitória Canta Para Pessoas Pequenas, Pessoas Grandes e Pessoas Também em 2017.

Eram esses dados que Raissa Brito, fã de MPB e moradora de Teresina, iria ver em seu feed do facebook. O link de compartilhamento viria de Jamile Souto, sua amiga na rede social. Era de conhecimento de Raissa que anteriormente ao surgimento do evento, Jamile era uma das produtoras da Naveloca, a quem desde o princípio pedia um show das artistas por aqui. Com a possibilidade que apareceu, Raissa questionou Jamile sobre o conhecimento da mesma sobre a nova produtora “Elo Produções”. Em resposta ela afirmou não conhecer, disse saber apenas que era o primeiro evento da produtora a ser realizado na capital.

Raissa comprou os ingressos. Viajou. Quando voltou, entrou em contato com o Teatro 4 de Setembro, localizado no Centro da capital, onde supostamente ocorreria a apresentação. A produção do teatro ligou para a empresária das artistas e descobriu que o duo não tinha conhecimento do evento. “Depois de uns dias ligando todos os pontos e já desconfiada, pedi ao site de venda dos ingressos, Sympla, pra que me enviasse os dados do tal produtor e qual foi minha surpresa? A pessoa que criou o evento é da produção do Naveloca, Jamile Soares”, escreveu Raissa em sua publicação no facebook.





O post feito no dia 06 de janeiro de 2017 na rede social, contém prints do passo a passo das conversas de Raissa e Jamile, dos emails trocados com o Sympla e as explicações cobradas ao parceiro de sociedade Veni Júnior. Na última conversa com Jamile, Raissa cobra seus três ingressos (R$ 110,00 reais) comprados. A produtora culpa seu sócio, Veni Júnior. Este nega qualquer envolvimento com o show em questão. Raissa conta que posteriormente recebeu seu dinheiro de volta, porém o pagamento foi feito novamente pelo site Sympla e não pela produtora.




Com dois casos reincidentes, fica o questionamento: Por que o Sympla continuou aceitando cadastro e venda de ingressos da mesma pessoa? Não há uma Política de Segurança que vise combater a reincidência de casos similares?

Fim da Naveloca Produtora

Os casos descritos e brigas internas levaram ao fim da Naveloca Produtora, que era uma parceria entre Jamile Soares e Veni Júnior. Com o fim da sociedade, Jamile alegou problemas internos, discussões e desentendimentos que ocasionaram o rompimento nos trabalhos com seu sócio. Segundo testemunhas próximas, a mesma alegava que havia sido vítima de golpe pelo companheiro.

O Diretório Literário contatou o ex-sócio. Confira a entrevista na íntegra:

1 - Como você conheceu Jamile Soares? Qual foi sua relação com a mesma?
A conheci enquanto vocalista de uma banda, através de amigos em comum.

2 - Como surgiu a Naveloca Produção? Além de você e ela, alguém mais integrava o coletivo?
A Naveloca Produtora não se fez como coletivo, mas como empresa, da qual fui convidado a fazer parte após seu início, Jamile então veio morar em minha casa após alegar problemas familiares, existiam outras pessoas que assim como eu, também haviam saído da produtora.

3 - Sobre o show anunciado da Anavitória, qual foi sua participação como membro da empresa?
O show "fake" da Anavitória aconteceu após eu já ter saído da produtora, mesmo ainda tendo Jamile morando em minha casa não fazia mais parte e sequer tinha acesso a mais nada em relação à produtora, foi descoberto, inclusive, por clientes lesados que quem havia solicitado a venda de ingressos para o show havia sido ela, segundo ela o objetivo era incriminar outra pessoa que havia produzido o show da banda O Terno em Teresina, mas pelo que vimos não deu certo e ela tentou incriminar um "sócio" oculto, no caso eu, aproveitando pra culpar também em relação a cancelamentos de [outros] shows e falta de pagamento de cachê a artistas.

4 - Quando você deixou a empresa? Por quais razões?
Após o show da banda “O Terno” em São Luís, não me senti mais à vontade de continuar, sabia que poderia dar certo e ser interessante pra Teresina, mas não da forma que estava e não com ela.

5 - Você alega histórias contadas por ela sobre a Naveloca e acusações, você pode elencar esses depoimentos e falar sobre?
Já ouvi inúmeras versões das mais variadas histórias criadas por ela, que são tão fáceis de provar que é mentira que chega a ser cômico. Que eu havia fugido da cidade com grana, que eu havia sido detido, que ganhou causa contra mim. Primeiro que continuei no mesmo endereço até julho desse ano, continuei estudando na mesma instituição de ensino e até o dia de hoje nunca recebi nenhuma citação judicial.

6 - Como você e Jamile atuavam na produtora Naveloca?
Não havia "sociedade", apenas éramos, até então, amigos que produziam shows em teatros da cidade, não havia nenhum vínculo legal e nunca houve divisão de lucros com porcentagem acertada.

7 - Qual sua opinião como antigo sócio de Jamile sobre os cancelamentos feitos pela Tropicália Invisível?
O que vemos é a mesma prática feita apenas com um nome social diferente, mudou-se o nome, mas não a pessoa. Falta de compromisso com os artistas contratados e com os clientes que pagaram esperando ver um show. Eu imagino que ela pode novamente trocar o nome, dela, da empresa, ou encontrar outras pessoas que acreditem em alguma coisa que ela diga, mas que o serviço prestado será com a mesma qualidade.
Até torço para que dê certo, vai que...

Nova Produtora

Com o fim, surgiria a produtora solo, nomeada “Souto Produções”. A primeira produção idealizada por Jamile seria a realização do show da banda cearense “Selvagens à Procura da Lei”. Foi com esse intuito que a produtora procuraria Poliana Oliveira, estudante de Comunicação Social, para participar e ajudar nos seus projetos de produção.

Em entrevista ao Diretório Literário, concedida no dia 18 de outubro deste ano, Poliana nos deu seu depoimento sobre seu envolvimento com Jamile Soares e a produtora “Souto Produções”.

Poliana Oliveira

“Eu conheci a Jamile através do meu ex-namorado, pois eles eram amigos e participavam do mesmo coletivo. Começamos uma amizade, pois ela tem uma conversa muito boa, sabe? Assim que você conhece ela você gosta, porque ela troca ideia com você, é muito agradável. Era setembro de 2016 e a Naveloca estava deixando de existir, tinha acontecido uma treta, pois a produtora tinha cancelado um show do Jaloo e a galera pediu o dinheiro de volta.  Depois desse show, a Naveloca deixou de existir.

Trocamos uma ideia e ela me falou que ia me chamar pra trabalhar com ela, eu disse ‘tudo bem, vamos lá’. Isso era final de 2016. Ela me falou que o primeiro show que seria produzido era o do Selvagens à Procura da Lei. Ela me convidou pra ajudar e também um amigo meu do curso pra cuidar da parte visual, os flyers, panfletos, essas coisas. Ela criou um grupo no whatsapp, eu, o Marcos e ela. Eu disse ‘vamo lá’, mas sempre com uma desconfiança, porque assim, ela às vezes falava umas coisas que não batiam e tal. A primeira coisa que ela me pediu como ajudante de produção foi uma conta no banco pra colocar o dinheiro dos ingressos do show, por que o Sympla funciona da seguinte forma: você compra no sympla, compra, paga e ele é só um intermediador entre a pessoa que tá vendendo o ingresso e você que tá comprando. Aí então ele libera o dinheiro pra conta que você cadastrou lá.

Eu disse pra ela: ‘eu tenho uma conta aqui, uma conta poupança e ela ta parada, só tem um dinheiro lá guardado, que não é meu, é um role coletivo que faço parte’. Disse que ela poderia colocar lá, que toda vez que o dinheiro cair, a gente ia lá conferia, sacava e pronto. Ela tinha me dito que não tinha conta no banco, que tinha tentado, mas não tinha dado certo. Eu disse ‘beleza’. Coloquei minha conta poupança da Caixa lá.

E assim começou a venda dos ingressos pro show, que seria em Janeiro de 2017. Ela falava ‘olha, caiu tanto na conta, saca lá e entrega pra mim’. Eu ia lá e sacava, conferia e entregava. Fiz três saques pra ela. Nos dois últimos saques, que já foram em janeiro de 2017, no intervalo de dois dias, um dia saquei um valor e no outro o outro. No último saque, no dia 04 de janeiro, ela estava comigo porque meu ex-namorado ia fazer aniversário e eles eram amigos também. No dia ela ficava me apressando pra sacar falando que tinha caído dinheiro, eu conferia e não tinha caído. E ela insistia. Fomos todos para um bar conhecido no Centro e ela insistindo, insistindo.

E assim, fui com ela sacar o dinheiro. Saquei e entreguei. Quando foi no outro dia, fui retirar o extrato pra conferir e não tinha caído o dinheiro, eu saquei o dinheiro que já estava na conta. Foi um saque de R$ 270,00 e outro de R$ 300,00 reais. Falei com ela pra me devolver quando esse dinheiro do Sympla sair. Ela falou que ia cair e que eu ficasse com o dinheiro pra mim e tal. Disso passou muito tempo.

Passou muito tempo, ela cancelou o show dos Selvagens, disse que tinha dado confusão com a produção da banda etc. O dinheiro nunca caiu e eu falando ‘Jamile, não caiu o dinheiro’ e ela falando que ia me entregar em mãos, disse que tava estressada com o sympla, que começou a trabalhar na Kalor Produções. Eu a pressionei, esperei uns três meses e ela enrolando. Ela não pagou o Marcos, se afastou do coletivo Salve Rainha, sempre alegando depressão e tal.

Depois de todo esse tempo percebi que ela não era minha amiga, comecei a falar com ela cobrando novamente, marquei a primeira vez, não foi. Segunda vez não foi. Terceira vez, não foi. Na quarta vez, ela também não foi. Depois disso, ela mandou foto de dois comprovantes dos depósitos equivalente ao dinheiro, dizendo que ela tinha depositado. Isso antes da conversa na UFPI. Eu fui ao banco e o gerente falou ‘moça, esse dinheiro não caiu porque a gente abriu o envelope e tinha outros envelopes dentro dobrados’.

Isso era mês de abril. Peguei uma declaração com o gerente, com assinatura dele e pedi as imagens das câmeras e tudo mais, por que quando eu aleguei que tinha acontecido isso, ela falou ter sido outra pessoa que depositou dinheiro. Depois disso, marquei com ela outra vez, na UFPI, ela foi e eu chamei uma amiga como testemunha e falei tudo pra ela, a coloquei contra a parede. Disse que iria denunciar ela, pois eu tinha tudo provado, mas ela ficou calada. Eu dei uma última chance pra ela devolver o dinheiro, ela disse que ia devolver o dinheiro e etc. Dei um prazo, mas ela nunca devolveu. Ela me bloqueou de todas as redes sociais, então eu fui à delegacia, fiz um B.O contra ela. Me informei com um amigo advogado e o B.O foi enquadrado como estelionato.




Pra mim, é bem mais pesado ter um B.O e ajudar outra pessoa com outro B.O que eu ir ao juizado de pequenas causas. Ainda hoje não recebi o meu dinheiro e o B.O está feito.”




O show do Selvagens à Procura da Lei pela Souto Produções, após o primeiro cancelamento, ocorreria em maio de 2017 no Teatro do Boi.

FESTIVAL INVISÍVEL

“Muitas vezes somos os principais responsáveis por invisibilizar a nossa arte”. Essa é uma frase escrita na descrição do Festival Invisível. Outro título, a mesma realizadora. Agora assinando como Jamille Souto, o evento marcado no dia 14 de Julho de 2017, teria artistas piauienses e de outros estados reunidos em “uma noite de festa, poesia, música e de celebração à arte contemporânea brasileira”.

A edição do festival contou com participação de artistas como Bárbara Eugênia (RJ), Igor de Carvalho (PE), Hugo dos Santos (PI), Tio (PI), além da própria Jamile Souto ou apenas Souto, seu nome artístico.

O Festival Invisível aconteceu. Contudo, um artista da capital, que pediu para não ser identificado, contou não ter recebido cachê pelo show no evento. Além disso, o artista também chegou a produzir uma música lançada pela Jamile, porém ficou sem o devido pagamento. “Não recebemos o cachê do festival. Fizemos dois shows, um acompanhando a Bárbara Eugênia e outro como banda, não recebemos por nenhum dos dois trabalhos”, afirmou.

Tropicália Invisível

O festival acima originou a Tropicália Invisível, a última tentativa de uma nova produtora de Jamile, como forma de divulgar sua carreira pessoal e produzir no Piauí. Agora como coletivo, ela trabalharia com artistas piauienses, entre eles Fabrício Santos, artisticamente conhecido por ‘Tio’ e Gabriel Prado, integrante da banda “O Carteiro”.

Com o cantor e compositor Tio, Jamile produziria o web clipe “Tio + Souto” e os dois se apresentariam em diversos shows pela capital.




Primeiro começamos como coletivo, depois firmamos a ideia de um selo. Começou por mim e alguns artistas locais, Tio, Crespo e uma galera de uma banda alternativa que não tem nome e outras parcerias”, declarou Jamile quando questionada pelo Diretório Literário sobre a origem do Tropicália Invisível durante entrevista concedida no último 18 de outubro.

Após alguns meses de produção, alguns artistas se afastariam do novo selo. “Os meninos continuam a fazer música, porém, tiveram que se afastar por conta dos estudos. O coletivo era normal, a ideia era divulgar nosso trabalho. A produção era só eu e duas pessoas”, finalizou Jamile.

Segundo ex-integrante do coletivo Tropicália Invisível, que também preferiu não se identificar, o afastamento ocorreu devido algumas atitudes da produtora, que provocou discordância entre os demais membros. O ex-integrante contou ao Diretório Literário como aconteceu o primeiro contato com Jamile e seu envolvimento com o coletivo.

“Tudo começou quando o Fabrício, que tocava comigo na banda ‘O Carteiro’ conheceu ela, começou uma amizade entre os dois. Desde o início ela falou que tinha vontade de ajudar o cenário musical e que ela era musicista também e deu aquela conexão. Eu sou músico, ela também é e o Fabrício também. Isso tudo foi no final das tretas do Naveloca.

Aí explodiu a questão das tretas da Naveloca e ela jogou a culpa todo pro Veni Júnior. E a gente acreditou nela, porque ela estava sendo nossa amiga, pagando coisas pra gente.

Passou esse tempo, na amizade, todo mundo esqueceu o lance da produtora Naveloca. No final, ficou como se ela fosse a pessoa certa e o Veni tivesse roubado. E o começo do coletivo era uma outra forma de produzir, porque ela tinha ficado com o nome sujo anteriormente. E como a gente sofria muito com o cenário daqui, a intenção do Tropicália Invisível era dar essa visibilidade às bandas para o que estava “invisível”, digamos assim. Nisso, eu ficava com a parte gráfica, fazia flyer e pôster. Já o Fabrício e o Prado foram os que mais entraram de cabeça na Tropicália.

Nesse tempo a gente confiava nela, eu trazia ela pra minha casa, dormia, tratava super bem como trato todos os meus amigos. Todo mundo confiava nela. Só que aconteceu o seguinte, ela já vinha a um tempo fazendo algumas coisas que eu não concordava com o Fabrício e eu já tava meio com o pé atrás. Só que aí no tempo, ela pegou alguns dados do Fabrício, o sympla que é o negócio que vende ingresso online, tá no nome dele. As pessoas estão cobrando ele. Mas o Fabrício, como eu e o Prado confiávamos nela.

Fabrício saiu da Tropicália antes dela cancelar todos os shows, e muita coisa tá no nome dele e do Gabriel Prado, porque ambos foram enganados por ela. Fiquei sabendo recentemente que ela usou a conta do Fabiano, irmão do Fabrício, pra fazer umas coisas, receber um dinheiro. O Festival Invisível (em julho) ela que cuida da parte financeira e tem muito artista que não foi pago. Ela pegou dinheiro emprestado com uma galera aí e ainda não pagou. Ela enrolou muito, sacou? Ela enrolou muito até a galera que tava junto com ela, no caso, eu, Fabrício e o Gabriel e algumas pessoas.

E o foda é que ela sujou com a imagem cultural daqui, porque ela fez contato com muitas produtoras do Brasil, da galera independente aí, sabe? Entrou em contato e depois furou esses contatos, sabe? Isso acaba com o cenário daqui de Teresina, porque a galera não confia mais de trazer gente pra cá.
As coisas estão pesando muito pro Fabrício, pro Gabriel porque as coisas estão no nome deles. Ela tá mais envolvida com a questão da imagem do coletivo. A galera que tava com ela, tá recebendo coisas que não merecem”, declarou o ex-integrante.



Breve Histórico

Souto é um projeto solo de Jamile Soares. A cantora começou na música com o grupo “A Banda de Cá”, conjunto da igreja evangélica com músicas de louvor e missão. Já como Jamille Souto, sua vertente musical se aproximou da MPB e da sonoridade de artistas que costumava anunciar. Ela fez algumas parcerias na sua carreira como o projeto 1 + 1, com o artista Anderson Chames, tendo lançado o single Vai Dar Certo, com destaque no Red Bull Music. Posteriormente lançou o single “Eu Quero É Tragar Você”, produzido pelo artista piauiense Hugo dos Santos.



Cancelamentos das apresentações

Em setembro deste ano teve início a divulgação de uma das maiores atrações da nova MPB, Hélio Flanders, frontman da banda Vanguart. O Músico viria a Teresina com sua turnê solo, baseada no disco ‘Uma Temporada Fora De Mim’, numa realização do coletivo Tropicália Invisível. Com data marcada para o dia 20 de outubro, o evento aconteceria das 20h às 23:00 no Tomato Gastronomia e Cultura, espaço cultural localizado no Centro da cidade. E assim deu-se o início à venda virtual dos ingressos para a apresentação.

Alegando grande procura pelos ingressos, o coletivo começaria as vendas físicas antecipadamente:




Concomitante à venda dos ingressos para a apresentação do integrante da banda Vanguart, o coletivo anunciou o show do artista Castello Branco com apresentação marcada para o dia 26 de outubro em Teresina e 27 em São Luís. Posteriormente o evento da banda Francisco El Hombre, com data marcada para 23 de novembro no mesmo local, também seria anunciado pelo Tropicália Invisível. Phillip Long, que havia recém-lançado o álbum ‘Manifesto’, foi outro artista anunciado que teve o show cancelado.

Castello Branco é o nome artístico do cantor e compositor carioca da nova MPB. Com dois discos lançados “Serviço” em 2013 e “Sintoma” em 2017. A banda brasileira Francisco El Hombre de origem latina, teve repercussão com o lançamento do seu primeiro disco “SOLTASBRUXAS” em 2016.

No dia 18 de outubro, uma nota no instagram do coletivo seria publicada, assim como na conta da rede social do estabelecimento Tomato Gastronomia: Os shows de Hélio Flanders, Castello Branco e Francisco El Hombre estavam cancelados. O perfil do Tropicália Invisível alegava problemas pessoais internos e informava que os reembolsos dos ingressos vendidos seriam feitos no dia 27 de outubro das 11 horas às 17 horas no local onde os eventos aconteceriam.


Nota feita por Jamile no seu perfil pessoal do Facebook

Contudo, o restaurante garantiu que não tinha conhecimento do cancelamento e que a produtora em nenhum momento havia entrado em contato para tratar a respeito.

“Mandamos mensagem pedindo confirmação dos eventos antes dela liberar a nota [de cancelamento] e nunca fomos respondidos. Não nos deram nenhuma satisfação”, completa a direção do Tomato Gastronomia e Cultura.

Em entrevista ao Diretório Literário, concedida no dia 18 de outubro, Jamile Soares , agora com nome social Luccas Souto, reafirmou problemas com sua saúde mental, o que, segundo conta, o levou ao cancelamento das apresentações. “A decisão foi minha, diretamente minha. Não foram por motivos financeiros como a maioria acha ou por algo relacionado. A decisão foi tomada por mim por questões de saúde”, reiterou.


Em sua rede social, o artista Phill Long emitiu duas publicações sobre o cancelamento de seu show em Teresina:






Em seu perfil profissional, a produção do cantor Hélio Flanders apresentou a seguinte nota:



Quando perguntada sobre o posicionamento público do artista na rede social, Jamile declarou que houve uma quebra de contrato. “Sim, pois foi uma quebra de contrato, conforme havíamos acordado tudo até eu resolver cancelar. Conversei diretamente com o produtor dele (Hélio), que também é meu produtor musical”, afirmou.

Na ocasião, a reportagem solicitou ao Luccas (Jamile) uma cópia dos contratos em branco, que ele assinava com as bandas. A intenção era entender quais regras do contrato foram de fato quebradas, todavia nosso pedido foi negado.

Luccas garantiu à reportagem que o dinheiro para o reembolso de quem adquiriu os ingressos online estava assegurado.“Sobre os reembolsos, todo o dinheiro de vendas está intacto, estão em conta para voltar aos compradores. Em nota já publicamos o dia e os horários”, disse. Passado o dia 27, a devolução do dinheiro aos fãs dos artistas não ocorreu.

Luccas confirmou à reportagem que o local onde aconteceria o reembolso seria no Tomato e Gastronomia. A direção do espaço, após ser contactada pelo Diretório Literário, negou qualquer comunicação com a produtora nesse sentido, inclusive decisão de reembolso no estabelecimento.

O Diretório falou diretamente com o cantor e compositor Castello Branco sobre as duas apresentações canceladas pela produtora invisível, uma em Teresina e outra em São Luís. O artista diz ter sido uma situação estranha.

“Sobre o show cancelado, a Jamile Soares entrou em contato para agendar dois shows comigo no nordeste, estava tudo ok, porém ela não comprou a passagem aérea na data combinada, e ao questiona-la, ela informou que estava com problemas particulares e que sozinha não poderia produzir o show, e como não poderíamos seguir sozinhos, decidimos cancelar o show. Após isso ela sumiu e não respondeu mais as mensagens. Foi uma situação bem estranha, infelizmente não rolou dessa vez”, relatou.

A Tropicália Invisível e os coletivos idealizados por Luccas anteriormente realizavam produções no Maranhão, paralelas às do Piauí. “Já produzimos alguns shows por lá [Maranhão] e nunca houve cancelamentos lá. No Maranhão eu conto com uma equipe de seis pessoas, tem apoio local. Aqui em Teresina não tem apoio para a produção independente. Aqui em Teresina eu trabalho sozinha praticamente, tem dois rapazes na equipe”, contou.

Sobre as consequências dos cancelamentos para a imagem cultural do Piauí e até para a própria carreira, Luccas (Jamile) diz querer parar de produzir. “Um dos motivos pelo qual eu estou parando, porque já vinha afetando [minha carreira], tem muita coisa em jogo em relação a minha própria carreira”, finaliza.

Reembolsos

No dia 27 de outubro, Erica Thaís, ainda não tinha obtido resposta de onde seria o reembolso físico. Comentou na única publicação sobre o cancelamento emitida pela produtora no Instagram e percebeu várias outras reclamações.

Eu comprei uma mesa para o show do Hélio, comprei diretamente com a produtora (Jamile). Não conhecia a produtora, conhecia o Tomato e quando vi a divulgação do show no instagram me interessei. Pensava que era produção do restaurante mesmo. Falei com ele (nome social de Jamile, Luccas) e ele disse que iria fazer o reembolso por transferência para a minha conta. Perguntei quando seria ele disse dia 27. Chegou o dia e quando fui cobrar, ele começou a me bloquear nas redes sociais”, conta Erica.

Entre os comentários com reclamações na rede social, estava o de Pâmela Basílio.

“Comprei ingressos para dois shows, o do Hélio e o do Castello Branco. Duas entradas para o Hélio com ela, no Tomato. E uma do Castello Branco no site (sympla). Duas entradas no valor de R$ 50,00 reais. O site já entrou em contato para fazer a devolução. Já o físico, conforme nota no insta da produtora, seriam trocados no Tomato no dia 27 de outubro, a partir das 11h. O que não aconteceu.

Sou frequentadora do Tomato, soube dos shows por lá. Não conhecia a Tropicália Invisível, mas conhecia a responsável pela mesma, ela já tem histórico na cidade de promover eventos que não irão acontecer. Mas como ela sempre muda o nome da produtora...não sabia que esse seria mais um golpe.

Desde quando soube que não haveria reembolso que entro em contato e eles não respondem. Hoje (27) decidi entrar em contato direto no perfil da responsável e além dela não me dar retorno, me bloqueou.”

Sem respostas, Pamela e os demais compradores se mobilizaram nos comentários para prestar queixa. Pamela abriu um processo junto ao Procon no dia 30 de outubro, uma segunda feira. O processo foi aberto de forma coletiva.



“As outras pessoas virão em horários diferentes, eu avisei a mais ou menos 15 pessoas. Entrei com uma ação coletiva, quando derem queixa da produtora, ela será anexada a minha”, afirmou.




Outra compradora foi Cleópatra Lóiola que declara também não ter conseguido contato com a produtora e que apesar de pessoas alertarem sobre a produtora, comprou os ingressos como prova de confiança.

“Comprei dois ingressos pro show do Hélio Flanders no valor de 80 reais, pessoalmente com ela. Conhecia as [produtoras] anteriores que ela abriu, Naveloca, Souto. Calote em todas. Tanto que parei de comprar quando sabia que tinha o nome dela envolvido. No dia que fui comprar, ela tava lá, que foi como descobri que ela estava por trás desse [show] também. Me arrependi amargamente. Não merece confiança”, desabafou.

Cleópatra também diz não ter tido retorno ao tentar comunicação com a produtora e manifesta vontade de abrir um boletim de ocorrência.

“A produtora não tomou providência alguma, fez foi sumir, aparentemente ela também me bloqueou do whats. Se ela não me responder até hoje a noite, amanhã de manhã vou abrir um B.O”, asseverou.

A notícia dos cancelamentos e ausência de reembolsos eclodiu comentários na rede social twitter e na publicação de cancelamento no Instagram:












Com o nome e o número ligado a divulgação dos eventos e como ex-membro da Tropicália Invisível, Gabriel Prado cedeu declarações sobre os cancelamentos dos shows e sobre o processo coletivo movido junto ao Procon.

“Eu não tive participação nos cancelamentos dos shows e nem na ausência do reembolso dos mesmos. Mas eu sei que ela ainda não os pagou por falta de verba, pois o dinheiro foi utilizado para fazer outras produções que não tiveram sucesso de público, como por exemplo, a Ana Vilela. Eu acredito que ela não fez de má fé a ausência do pagamento, porém, é uma grande irresponsabilidade.

Não concordo com ela, nesse silenciamento perante o público. Muita gente veio falar comigo que ela não está respondendo ninguém. Quando eu a questiono, ela diz que está. Mas as pessoas falam que não. Sou totalmente contra esse posicionamento, é importante dar algum posicionamento prévio de que ela vai fazer o reembolso, que eu acredito que vá fazer.

Eu entendo que o Procon tenha entrado em contato comigo, porque quando eu trabalhava junto com ela, eu disponibilizei meu número para receber ligações e mensagens para  pessoas que precisassem de informações pra comprar os ingressos do show do Hélio Flanders e do Castello Branco, que eram os shows que eu estava envolvido na organização. Então, eu entendo o Procon buscar informações comigo, pela negligência dela em receber ligações, em dar respostas. Então, eles buscaram outra alternativa, pois meu número estava nas redes sociais disponíveis”.

Sobre sua relação e trabalho como integrante do coletivo, Gabriel afirma estar afastado e que não tinha contato com o financeiro.

“O meu funcionamento com a Tropicália não se referia a fechar shows e nem mexer com financeiro. No máximo vender ingressos e no final eu sempre entregava a ela. Inclusive, eu e Fabrício tínhamos uma responsabilidade com os ingressos vendidos e assinados presencialmente para o show do Hélio e Castello Branco, porque, quero deixar claro, porque eles foram, como não havia sido rodado nem ingressos físicos, nem pulseirinhas, foram feitos recibos. Tem meu nome em alguns recibos, em outros tem o do Fabrício. Em alguns poucos tem o da Souto (Jamile), porque ela assinou poucos recibos. E quando uma certa vez, uma advogada entrou em contato comigo atrás do Fabricio, ela achou que ele tinha alguma responsabilidade. E quero deixar claro que em momento algum tivemos contato com o financeiro, não tínhamos contato com o dinheiro em relação ao montante. Tudo era repassado para a Souto, Jamile ou Luccas. No máximo, o Fabrício fazia planilhas e eu nem isso, só repassava o dinheiro pra ela”, declarou.

Fabrício dos Santos, o artista Tio, também falou ao Diretório Literário sobre seu relacionamento com Jamile Souto, sobre produção, seu afastamento da Tropicália Invisível e os reembolsos não efetuados.

“Eu lembro que foi com um convite de um show, que eu tocava na banda “O Carteiro”, a banda não existe mais, atualmente somos só amigos e tal. Pintou um convite pra gente tocar com A Banda Mais Bonita da Cidade, só que era só uma sugestão, não tinha nada como certo, como ela disse que estava em negociação e acabou não acontecendo. O Gabriel me contou sobre a proposta e foi aí o primeiro contato.

Houve outros convites e ela percebeu minha correria em produções. E foi a partir daí surgiu um envolvimento com o Tropicália Invisível, que anteriormente era Souto Produções. Esse envolvimento teve implicações na minha carreira, de forma que conheci muitos artistas e eu comecei a produzir. Toquei em eventos, produzi o Festival Invisível”, relatou.




O Festival Invisível marcou o artista. “Foi à primeira vez que produzi e toquei”, disse. O músico afirmou que por diversas vezes precisou tirar dinheiro do próprio bolso para custear despesas dos eventos.

A reportagem questionou a quantidade de shows anunciados em datas tão próximas como foram as quatro apresentações canceladas. “É certa impulsividade mesmo, a gente tinha um consenso, obviamente, mas era a Jamile que marcava, que chegava e já dizia ‘oh, data tal, dar pra trazer fulano’. E eu sempre ressaltava muito isso ‘olha, mas tá faltando pagar tal coisa e tal’. A Jamile era quem marcava todos os shows, ela, pelo menos nessa parte, burocrática em si, de cuidar de contratos, essas coisas estão todas em nome dela. Nunca tive acesso a nenhum tipo de negociação”, avisou.

Sobre os reembolsos, Fabrício afirma ter sido muito procurado, até mesmo pelo site de compras online Sympla, já que o mesmo se encontra em seu nome. “Havia coisas no meu nome, recebo e-mails semanalmente do sympla... essas questões do reembolso tem tirado meu sono, eu me desvinculei da produção um mês atrás, mas ainda devo resolver coisas, pois são coisas que burocraticamente estão em meu nome”, informou.

Eu assinei recibos e muitas pessoas vieram me procurar pra buscar informação, embora eu estivesse trabalhando na venda dos ingressos, o dinheiro foi todo repassado”, acrescenta.
 A respeito de sua saída do coletivo ele afirma ter se afastado devido cansaço e problemas acadêmicos. “Saí após o show da Ana Vilela, vendi alguns poucos ingressos, mas sai do coletivo após isso”, contou.

Acerca dos reembolsos, Fabrício diz que parte do dinheiro foi depositado e que em conversas com Jamile, ela mesma afirmava isso. Questionado sobre o silêncio e ausência de posicionamento com o público, ele conta “Acho que é da personalidade dela, ele no caso, é uma personalidade insegura... quando pra tratar de consequência, ele não ta tão preparado”, analisou.



Diante de todos os cancelamentos feitos e até mesmo do reembolso ser feito pelo próprio site online, o Diretório contatou diversas vezes o e-mail de serviços do Sympla para prestar esclarecimentos sobre a contínua prestação de serviço do site para com a produtora, porém, não obtivemos respostas conclusivas.

Na sequência tornamos a procurar por Luccas (Jamile, a mudança em seu nome social é recente e mesmo os entrevistados se confundiam quando precisavam se referir a ela) na intenção de que apresentasse uma nova previsão de devolução do dinheiro adquirido com a compra dos ingressos, também para saber o motivo de a devolução não ter acontecido no dia 27 de outubro, como havia sido repassado ao público por meio de Nota de Esclarecimento, porém não obtivemos mais respostas através do contato de WhatsApp que costumava nos responder.

Histórico

Cancelamentos de shows sempre existiu. São sempre ruins, tanto para quem produz, tanto para o artista. Em Teresina, é que esta prática tem uma reincidência incomum.

No ramo de eventos ficou bastante conhecido o caso da empresa Styllos, montada pelo casal Keila Morena e Fabiano Neves, que juntos provocaram prejuízo de 2,4 milhões ao vender e não entregar serviços de formatura para universitários de Teresina e Picos em 2012. Segundo investigação da Polícia Cívil, mais de mil formandos foram lesados resultando em 400 boletins de ocorrências.

As investigações apontaram que o casal estava inadimplente com os servidores e haviam processos sendo efetuados em Parnaíba. Julgado o caso, a condenação foi de um ano e oito meses.

Em 2014, ocorreu o cancelamento do Festival Brazuca, que traria grandes nomes da cena brasileira como Nando Reis, Frejat, Raimundos e Gabriel Pensador, outros.

À época, os artistas Raimundos, Ponto de Equilíbrio, Banda do Mar e Teatro Mágico se manifestaram alegando que não podiam comparecer ao show, pois a apresentação ficou inviabilizada pela ausência da logística como a compra das passagens e não cumprimento do contrato.

O produtor Pablo Martins, da Musicarte Produtora, foi acusado de sumir com aproximadamente R$ 100.000,00 mil reais dos ingressos vendidos para o festival. Em nota emitida à imprensa, Pablo negou o golpe e responsabilizou Italo Alves, administrador da parte comercial e arrecadação do festival. O Festival Planeta Brazuca também divulgou nota alegando ser vítima do desfalque feito pelo produtor. A polícia civil do Piauí registrou mais de 40 ocorrências de pessoas lesadas.

Outro caso mais recente no Estado envolveu o show do Ney Matogrosso. O evento foi divulgado na capital pela produtora Multi Entretenimento. A apresentação ocorreria em dezembro deste ano no Theresina Hall. No entanto, o local emitiu nota afirmando não haver acordo algum para a realização do show do artista.

Jurídico

Recorrendo ao campo jurídico, a presente situação apresentada pelas testemunhas e os processos abertos contra a produtora podem ser indiciados como crime de estelionato. O caso é marcado como crime de consumo, é o que conta a advogada Ingydy Pereira, que, à pedido do Diretório Literário, prestou um parecer a respeito do caso, baseado nas leis de consumo do país.

Trata-se de uma situação envolvendo consumidor, fornecedor de serviços e o serviço a ser prestado. Na situação, o caso deve ser levado ao Procon ou ao Juizado Especial. Entretanto, além de envolver ilícito civil também cabe como crime penal, em exemplo o estelionato, descrito no artigo 171 do código penal.

O estelionato deve atender aos termos de vantagem ilícita, prejuízo de outras pessoas, artifícios para enganar ou indução ao crime. Neste sentido, o show anunciado pela produtora sem o conhecimento da artista Anavitória, a ausência do reembolso e o próprio boletim de ocorrência prestado pela testemunha Poliana Oliveira comprovam a inflação penal.

É válido ressaltar que a pena varia de um a cinco anos em regime fechado, cabendo ao poder público, a partir de sua instância legal, diminuir a pena em dois terços ou mediante apenas a aplicação de multa.

Observando ainda comportamentos recorrentes da produtora citada, como usar e manipular terceiros a seu favor, não importando se consequências ruins cairão sobre estes, silenciar diante das consequências sobre as pessoas manipuladas, silenciar perante o público consumidor, denotando falta de empatia com as expectativas do público e dos artistas, bloqueando aqueles que mais lhe ‘incomodam’ buscando por informações e soluções sobre os eventos, sobre os reembolsos, não sentir vergonha ou remorso desses atos cometidos, cometê-los reiteradas vezes, aparentar simpatia e carisma como corroborou a entrevistada Poliana, todas as características citadas, dentro dos estudos básicos que envolvem a saúde mental, apontam para a personalidade de um sociopata, ou de modo mais científico, personalidade de alguém com transtorno de personalidade antissocial. Não podemos afirmar que seja o caso da produtora, porém fica a observação.


Update

O show da banda Francisco El Hombre acontecerá dia 23, porém através de outra produtora que decidiu não perder a data, pois a banda já havia comprado as passagens. A apresentação continua sendo no mesmo local, horário e data.

Atualmente os perfis pessoais, incluindo Facebook pessoal de Jamile Soares e página do Tropicália Invisível estão indisponíveis, pois foram desativados. 
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2 comentários:

  1. https://www.facebook.com/luccas.souto.714

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  2. Só lembrando que no caso do Festival Invisível (o que ocorreu), foi anunciado também uma atração surpresa que seria a Karina Buhr. Mas a surpresa mesmo foi ela não aparecer.

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