sexta-feira, 13 de abril de 2018

O Rapper Piauiense Marco Gabriel lança novo single e fala sobre participação em evento de Rap Nacional

Foto: Moura Alves
O rapper Marco Gabriel está com lançamento novo, na última segunda feira (02) ele lançou mais um single, “Distúrbios como revide”, de produção assinado pela Rua 2Filmes. A faixa estará em seu novo EP “Entre lutas e sonhos” que já está em produção. Marco lançou seu single logo após voltar de viagem, onde o rapper participou do evento “Audição Rap” com diversos outros novos talentos da cena do rap nacional.
A oportunidade de participar da “Audição Rap” veio através de um post no Facebook, em que um amigo compartilhou. Com uma taxa de 100 reais, o evento é um projeto idealizado pelo DJ Bola 8 com a intenção de revelar novos talentos. O projeto “Audição Rap” na cidade de São Paulo, é organizado pelas produtoras BOLA 8 PRODUÇÕES e BEAT SAGRADO, e ocorreu nos dias 03 e 04 de março deste ano.
Nossa equipe foi ao espaço “Black River“ no bairro Dirceu I conversar com ele dias antes da sua viagem, a data era 17 de fevereiro. Chegamos ao espaço por volta das 16 horas da tarde, Marco abriu a enorme porta metálica da casa de show, ele estava sem camiseta, e com um prato de arroz e feijão na mão direita. Naquele dia, devido aos “corres”, ele ainda não havia almoçado.
Ele nos convidou a entrar, sentamos e esperamos o rapper terminar o almoço. Enquanto o fotografo procurava o melhor ângulo, Marcos se apressou para buscar uma camiseta e escovar os dentes. Sentados em um sofá verde escuro iniciamos nossa conversa, ele sinalizava nervosismo, mas buscava manter a calma e o profissionalismo.  
O espaço “Black River” foi escolhido para sediar um pequeno show em prol da viabilização da ida de Marco para São Paulo. Toda a bilheteria seria voltada para arcar com custos de passagens de ônibus, alimentação durante a viagem e hospedagem. Foram três dias de ida e volta no ônibus. A produção ofereceu credencial e alimentação durante os dias de apresentações dos artistas.
Foram 200 grupos ou MC’s inscritos na Audição, sendo 20 selecionados para participar da mixtape produzida pelo DJ8, com gravação e produção em São Paulo, a ser lançada pelo selo Bola 8 Produções. Dos 20 selecionados, cinco vão ganhar um clipe. Dos cinco, apenas um terá participação em um dos maiores eventos de rap do Brasil, “Gangster Paradise”. Além disso, o ganhador vai receber roupas novas e contrato com a produtora.
Na cena desde 2014 no rap, Marco veio de São Luís, capital do Maranhão, para estudar aqui em Teresina e iniciar sua carreira no rap. Após ter lançado o EP “Periferia Tá Invadindo” em 2017, ele não para de produzir e mandar a letra. Confira o papo que tivemos naquela tarde chuvosa de 17 de fevereiro na íntegra:
Falando em Audição Rap, em quais aspectos você acredita que a sua carreira pode crescer diante da participação no evento?
Só o fato de estar lá, com uma pessoa que tem muito experiência (Dj Bola 8) com a cultura do hip hop. Só por ele ter escutado meu som, já é um ganho. Fora as oportunidades que podem surgir por eu estar em contato com várias pessoas de outros estados.  Se eu ganhar, eu vou poder ser acompanhado por uma produtora, com experiência nos caminhos de divulgação e produção de trabalho.
Foto: Moura Alves
E para a cena de rap do Piauí?
É massa. Sou o único do Estado a ir, do nordeste são pouquíssimos que vão. Eu sinto que estou representando a música daqui. Uma prova disso é essa galera que topou fazer esse evento comigo hoje. (Os grupos de rap: O Afronta, Reação do Gueto e a Família Zona Sul também se apresentaram no evento e dispensaram a bilheteria).
Neste momento a entrevista é interrompida, o “DJ 15” entra na sala, Marco Gabriel nos apresenta e afirma “aqui é 200 anos de Hip Hop”. O famoso DJ 15 é proprietário do espaço Black River e o cedeu para a apresentação do rapper. Chovia muito lá fora, eles conversaram algo sobre não “colar” ninguém devido ao temporal que caia lá fora. Continuamos.
Em quais pontos, em sua opinião, o rap brasileiro e, principalmente o piauiense, peca em termo de mercado musical?
É...quando a gente fala de rap estamos falando de uma cultura que advém da periferia, em sua maioria. E quando falamos sobre periferia, nós estamos falando de uma galera muito subalterna, que tem pouco recurso. Tem muita gente da minha idade, mais velhos, que estão na batalha porque eles sabem que a cultura do rap é uma parada de vida mesmo. Então, mesmo com todos os problemas socioeconômicos, pessoais, essa falta de recurso, a galera persiste em fazer, pois se tem um propósito muito maior do que vender, por exemplo. Ainda mais quando se fala em Nordeste, aonde tudo chega depois. A internet ajudou bastante, hoje as coisas são mais fáceis, podemos gravar um disco dentro de casa.
O que você escuta da nova geração de rap nacional?
Eu escuto muita coisa, como sou da nova geração, tenho 19 anos, eu procuro sempre essas pessoas da minha faixa etária que estão fazendo sucesso e até os que não estão. Tento filtrar o que é o melhor, as propostas, enfim. Tem muita coisa boa sendo produzida que ainda persiste com o espírito raiz, assim, uma cultura de protesto, mas também tem outra galera que vai em outra “onda”, mas eu respeito.
Foto: Moura Alves
Nomes?
Djonga, John Medice, ADL, BK (RJ) são caras eu curto muito.
Quais são teus planos para sua carreira solo em 2018?
Tô pensando em um segundo EP, já tem um single na internet que se chama “Sonho”, gravada na casa do hip hop, e ainda tem mais quatro faixas desse trabalho que pretendo lançar intitulado “Entre lutas e sonhos”. Para o segundo semestre do ano, quero trabalhar com um CD mesmo, já tenho algumas letras escritas, estou criando os beats.
Quais foram os pontos positivos do lançamento do seu primeiro EP “Periferia ta invadindo” lançado em 2017?
Embora desde 2014 eu cante rap, ali foi meu primeiro trabalho gravado, sabe? E ali foi muito importante, gravado na raça. Tem música ali que foi escrita antes deu sonhar em vir pra cá [Teresina]. Serviu muito como identidade para mim, porque assim, tem muitos bons músicos, mas sem nada gravado. Para mim é tipo “Eu tenho isso aqui gravado”.
Voltando a falar sobre o evento em São Paulo, de 0 a 10 quais são tuas chances de levar o prêmio?
10! Sou narcisista (risos).
Foto: Moura Alves
Naquele dia, antes de irmos embora, Marco Gabriel ao notar os óculos “Juliet” na mesa ficou decepcionado: “Poxa, devia ter dado entrevista com o Juliet, que nem o Mano Brown”. Por fim, vamos aguardar o resultado da Audição Rap que está previsto para o final deste mês de abril.
Enquanto isso confere as três faixas escolhidas pelo Marco Gabriel como influências sonoras dele:

Afronta - Postura



Clã Nordestino - Todo ódio a burguesia



Giria Vermelha - Lutar é preciso


2 comentários:

  1. Massa! Marco Gabriel é foda! Progresso irmãozin, voa ladrão! ��

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  2. Massa, meu primo. Só progresso pra tu, rapa!

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