segunda-feira, 9 de abril de 2018

Uma história desagradável - Fiódor Dostoiévski


Se você é um apreciador da literatura clássica – especialmente da literatura clássica russa – deve saber que é difícil entrar numa livraria e ignorar um livro em cuja capa esteja escrito “Fiodor Dostoiévski”. Eu desconhecia esta obra que resenho até entrar em uma loja e vê-lo exposto numa das prateleiras.

O escritor é considerado fundador e um dos maiores nomes do realismo literário russo. Seus contos e novelas tornaram-no mundialmente consagrado, sendo apreciado mesmo nos dias atuais. Entre seus temas mais corriqueiros estão os problemas sociais da Rússia do século 19 – especialmente as diferenças entre classes sociais -, tragédias pessoais e o comportamento psicológico humano.

Lançado em 1862, “Uma História Desagradável” faz parte do grupo de obras produzidas após o período em que Dostoiévski esteve preso – ele passou quatro anos em um campo de trabalhos na Sibéria e chegou a ser condenado a morte. A trama tem início com o alto funcionário Ivan Ilitch Pralínski deixando a casa de um colega e andando sem rumo pelas ruas de São Petersburgo, quando se detém na frente de uma casa onde está sendo celebrado o casamento de um de seus subordinados.

Ainda que as motivações do protagonista pareçam as mais esdrúxulas possíveis, ele decide entrar na festa. Considerando que todos os convidados do casamento ocupavam posições sociais “inferiores” à sua e querendo demonstrar seu amor pela raça humana, Ivan resolve entrar na casa a fim de “recompensá-los” com sua presença, acreditando que partilhar o mesmo ambiente com alguém de tão alta categoria deixaria os convidados e os noivos mais felizes e prestigiados, bem como mostrar-lhes que mesmo ele, um homem rico, poderia aproximar-se do povo.

Inicialmente sua entrada causa furor entre os convidados, mas não da forma como ele esperava. Longe de ser reverenciado e bem acolhido, sua presença parece causar constrangimento e tensão entre todos, sobretudo sobre seu anfitrião Pseudonímov – que parece cada vez mais tenso com a presença do seu superior.

Capa da edição da Editora 34

O que começou com apenas para um mal estar evoluiu para uma situação realmente delicada e, de certa forma, cômica. Após algumas doses de álcool, Ivan começou a tomar ciência da situação constrangedora que estava vivendo e tentava a todo custo justificar sua “entrada” de penetra na festa. Entretanto suas explicações só fizeram com que ele se confundisse cada vez mais.

Após algumas doses de vodka, o protagonista atinge o ápice da embriaguez e perde a consciência no meio do casamento. Cabe então aos seus anfitriões cuidar para que o estado de saúde do ébrio não piore ainda mais. À medida que o autor tira seu foco de Ivan Ilitch e começa a explorar os outros personagens, percebem-se os reais motivadores daquela situação. No dia seguinte, recuperado da embriaguez, Ivan reflete sobre sua atitude e tenta encontrar a melhor maneira de enfrentar a situação e a vergonha no trabalho, reavaliando também seu relacionamento com as pessoas que ofendeu e sua tese sobre se relacionar com diferentes classes sociais.

A narrativa consegue mesclar momentos de tensão com situações cômicas. Com uma introdução um tanto monótona, a história vai ganhando ritmo e logo passa a situações quase surreais. Pouco extenso, proporciona uma leitura rápida e leve.

Pessoalmente, achei que não conseguiria levar a leitura até o fim por conta do ritmo lento e por não encontrar muitos atrativos na situação descrita inicialmente. Mas aos poucos a história se torna mais dinâmica e começa a trazer uma série de situações inusitadas, algo que, na minha opinião, dão um tom mais bem humorado aos conflitos entre os personagens. Por ser um livro pequeno, é uma ótima opção para quem tem pouco tempo para ler.

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